A partir de agora o cidadão que fizer compras no estado de São Paulo terá que pagar 19 centavos por sacola. Dizem que a ideia é criar uma consciência ecológica e implantar as sacolas biodegradáveis. O mais engraçado é que essa ideia surgiu de um acordo entre o governo e a associação dos supermercados. Ou seja, A se reúne com B e decidem que C é quem vai pagar a conta. Parece injusto, não?
Vamos voltar um pouco no tempo. Por volta de 30 ou 20 anos, quando as sacolas plásticas estavam sendo implantadas nos supermercados. Você lembra? Lembra como eles diziam que as sacolas eram mais resistentes do que os sacos de papel usados na época? Do discurso de que a sacola plástica era mais ecológica poque não derrubava árvores? Então, enquanto achávamos estranho ver sacos de papel em filmes americanos, os supermercados daqui faziam seu trotoir para encher o próprio rabo de dinheiro e o nosso de plástico.
Foi feito todo um marketing sobre as sacolas de plástico. Elas foram vendidas como diferencial de marca entre os supermercados que lucraram, e muito com todo esse plástico. O consumidor, no máximo conseguiu economizar com sacos de lixo. Mesmo com o aumento evidente do uso de sacolas plásticas o governo sequer mexeu a sua bunda pesada para investir numa destinação correta do produto. Fico na dúvida se foi incompetência ou má intenção.
Parece que essas novas leis ambientais são feitas por pessoas que entendem mais de vinhos finos e de carros importados do que de meio ambiente. O governo e as corporações não ouvem o povo, continuam impondo suas estratégias e repassando seus custos. Nos enfiam goela abaixo ecobags feitas na China, que poluem desde a fabricação até o transporte. O governo, por sua vez, não investe em melhorias na coleta nem na destinação dos resíduos. O papel jogado nos lixões podem durar tanto quanto o plástico, porque são descartados de forma errada. Isso sem falar nos lixões irregulares espalhados por aí. E o que o governo e as corporações fazem para mudar a situação? Nada. Quem continua puxando carroça na rua é o povo. E aí, até quando vamos puxar carroça?
Dia 22 de março foi Dia Mundial da Água, mas quem realmente se importa? Quantas pessoas que você conhece que desliga o chuveiro para se ensaboar? Quantas diminuem o consumo de carne pois é o alimento que mais consome água para ser produzido? Quantas reciclam óleo de cozinha? Quantas procuram comprar de empresas que não poluem os rios? Quantas protestam contra empresas que poluem os rios? E quantas querem ter um carro que passe pelas enchentes sem nenhum problema e que se foda o resto?
Existe um movimento de supermercados e governos querendo reduzir o uso de sacolas plásticas. Muitos querem cobrar do consumidor. Mas o que aconteceu com os sacos de papel? Você lembra quando os supermercados usavam a sacolinha plástica como diferencial pra ganhar clientes?
Por que agora eles não usam sacolas plásticas biodegradáveis como diferencial também? Eles ganharam dinheiro com o plástico e agora querem repassar a conta pro consumidor. Não acho justo.
Alguns supermercados querem seguir o modelo internacional de cobrar pelas sacolinhas. Acho uma puta falta de sacanagem cobrar por sacolinhas que mal servem para carregar as compras de tão finas.
E a espessura é outro ponto importante: as sacolas plásticas mais finas são mais difíceis de serem recicladas. Usando sacolas mais grossas, aumentaria o número de sacolas recicladas. Além disso, também acabaria com o nosso medo de ter a compra esparramada pela calçada.
Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, fez uma palestra em uma universidade nos EUA. No final, um aluno o perguntou se era verdade que homossexuais estavam sendo condenados à morte no Irã. Ahmadinejad respondeu que não, afinal, não existem homossexuais no Irã. A platéia rachou de rir.
Provavelmente se um representante da China vir ao Brasil dizendo que lá existe liberdade de expressão, a reação será a mesma (espero). Tem coisas que não tem cabimento. Democracia na Coréia do Norte, liberdade de expressão na China, a religião como “cura” do homossexualismo. Provavelmente, se afirmarem essas coisas, você irá rir. Então, por que acreditar em sustentabilidade num mundo capitalista?
Se você recicla, toma banho rápido e usa transporte coletivo, parabéns, não faz mais do que a sua obrigação, mas está longe de ser uma pessoa sustentável. Sustentabilidade não é apenas um conceito ecológico, mas também social.
Já imaginou se fizermos um iPhone para cada habitante da Terra, buscando a igualdade? Acabaríamos enterrados em lama tóxica. Já imaginou tirar o iPhone de quem o “conquistou”? Teríamos a 3ª Guerra Mundial.
O capitalismo visa a livre iniciativa e a competição, é baseado em sucesso versus fracasso. A sustentabilidade em igualdade e equilíbrio. Provavelmente tornar o mundo sustentável incidiria num atraso tecnológico, pelo menos de início. Então, você está disposto a isso?
Parece que as pessoas preferem se decepcionar do que encarar a verdade. Acreditam e depois criticam a falsa sustentabilidade de eventos como o SWU, pasmem, criado por um publicitário… aposto que Ahmadinejad morreria de rir ao ouvir isso.
Acorda Alice, você não está no País das Maravilhas. Num mundo perfeito, capitalismo e sustentabilidade podem conviver em harmonia, mas você não está num mundo perfeito. A não ser que os pobres desenvolvam a habilidade de comer plástico e lixo tóxico, o mundo capitalista jamais será sustentável. Por favor, deixe de ser ingênuo, curta seu show sem culpa ou faça algo pra mudar.
O SWU começa com você acreditando em toda essa mentira. E termina com você decepcionado.
Pra quem ficou com preguiça de ler tudo, tem um filminho que explica melhor a História das Coisas.
Esse é o tema de uma pesquisa que estou fazendo no curso de filosofia. É uma pesquisa pequena, pois sei que o assunto dá muito pano pra manga.
É comum eu ouvir pessoas me perguntando: você vai pesquisar sobre pichação ou grafite? Minha pesquisa é mesmo sobre pichação como arte. Grafite, pra mim, não tem mais o que se discutir, uma vez que empresas pagam pelo trabalho, existem cursos e o melhor, já entrou no museu. Acredito que o grafite já se consagrou arte, e comercial. Por isso mesmo, vem se tornando o mais novo alvo de pichações.
Grafite e pichação sempre foram aliados. Um não atropelava o outro. Mas quando o grafite começou a ser visto como arte, muita gente se utilizou dele para fugir da pichação. Pessoas pagaram para que grafitassem o seu muro, sendo assim, ele não seria mais pichado. Muito desses grafites, atropelaram várias pichações, começando aí um conflito. Hoje, o grafite aliado é visto com maus olhos pelos pichadores.
Para ambientar melhor o assunto, postei abaixo dois vídeos, um sobre a pichação no Rio de Janeiro, outra sobre a pichação em São Paulo.
Se você souber de algo sobre o assunto, tiver um livro para indicar, ou qualquer dica, por favor, deixe seu comentário.
No ano de 2009, os coletivos i|z fotos, Garapa e o fotógrafo Gustavo Pellizzon documentaram a construção/repercussão do muro na favela Santa Marta.
Parte de um projeto maior, que inclui a ocupação policial e urbanização da favela, este muro é foco de grandes debates. O argumento oficial, que justifica-o como “ecolimite” é questionado pelo seu simbolismo segregacionista.
Foram R$ 2 milhões de reais gastos para construir aproximadamente 650 m de muro, por 3 m de altura. Este projeto está sendo implementado em outras favelas da cidade.
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