Será que um dia chegaremos ao ponto da charge abaixo?
Esses dias fiquei pensando: será que todos leitores da saga Crepúsculo sabem o que significa crepúsculo? Fiquei até curioso: já pensou se existe um glossário no livro explicando o título?…rs
(cre.pús.cu.lo) [F.: Do lat. crepusculum,i.]
sm.
1. Claridade fraca e indireta dos períodos de transição do dia para a noite e vice-versa; LUSCO-FUSCO
2. Período do dia em que há essa claridade [Nessas acps., é mais usual o emprego da palavra para designar a claridade e o período correspondente no anoitecer. Para designar a claridade fraca da manhã.
3. Fig. Proximidade do fim; DECLÍNIO; OCASO: crepúsculo da vida.
Brincadeiras à parte, acho positivo a leitura estar aumentando no Brasil. Pelo menos, suspeito que esteja depois de Senhor dos Anéis, Harry Potter e Crepúsculo.
Recentemente terminei de ler A Queda de Albert Camus, recomendo a todos. Camus era jornalista, escritor e filósofo existêncialista, contemporâneo de Jean Paul Sartre.
Bizarramente, na Wikipédia diz que ele foi um filósofo francês nascido na Argélia….rs. Como diria Michel Serres, toda identidade leva ao preconceito. Qual o problema em dizer que ele foi um filósofo argelino (ou nascido na Argélia)?
Em 1957, ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1960 morreu num acidente de carro. E hoje é um dos escritores que eu mais admiro.
Todo mundo já deve estar sabendo, a Playboy portuguesa foi fechada. Todas as revistas foram recolhidas. Tudo isso por causa da capa abaixo.
Não, não foi o governo de Portugal que a fechou, foi a matriz da Playboy nos EUA. É, parece que o grande inimigo da liberdade de expressão quebrou o silêncio.
Não, não estou falando da religião. Estou falando do mercado. Ou você escreve, posta, ilustra, fotografa o que o mercado quer ou está na rua, perde o patrocínio etc. Taí o grande vilão da liberdade de expressão em tempos de neoliberalismo.
Você pode achar que a igreja católica portuguesa esteja por trás disso, mas saiba que os EUA são os inventores do fundamentalismo religioso. Sim, eles são fundadores do Fundamentalismo Cristão. E a Playboy deve fazer parte dessa cúpula. Quem diria?
Por mais estranho que lhe pareça, o livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo” de Max Weber (pasme, ele não é um piloto de Fórmula 1) explica bem a possível relação entre o modelo de negócio americano, no caso a Playboy e a religião protestante.
Neste livro, Weber avança a tese de que a ética e as ideias puritanas influenciaram o desenvolvimento do capitalismo. É aquele velho papo de que o trabalho enobrece o homem e que a mente vazia é a oficina do diabo levada às últimas instâncias fundida com uma certa meritocracia divina.
Espero que depois disso, o povo da superfície entenda porque escândalos de grandes marcas não aparecem na grande mídia. Afinal, eles são os grandes anunciantes que pagam a conta no final. São eles que pagam os salários dos jornalistas e chefes editoriais.
1) Marcel Proust.
À La recherche du temps perdu. (Em Busca do Tempo Perdido).
Paris, Gallimard. 1922. 1600 páginas. Resumo: Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos – e pronto. Fim.
2) Leon Tolstoi.
Guerra e Paz.
Paris, Ed. Chartreuse. 1200 páginas. Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra por estar apai! xonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro. Fim.
3) Luís de Camões.
Os Lusíadas.
Editora Lusitania. Resumo: Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super-gente-fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas. Fim.
4) Gustave Flaubert.
Madame Bovary. 778 páginas. Resumo: Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre. Fim.
5) William Shakespeare.
Romeo and Juliet.
Londres, Oxford Press. Resumo: Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então um padre tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero. Fim.
6) William Shakespeare.
Hamlet.
Londres, Oxford Press. Resumo: Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado. Fim.
7) Sófocles.
Édipo Rei – tragédia grega.
Várias edições. Resumo: Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara! em cada consulta. Fim.
8 ) William Shakespeare.
Othelo Resumo: Um rei otário, tremendo zé-ruela, tem um amigo muito fdp que só pensa em fazê-lo de bobo. O tal “amigo” não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O zé-mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho. Fim
Parabéns (ou não), você acaba de economizar a leitura de pelo menos 7.000 páginas.
Encontrei esse vídeo abaixo no Não Salvo. A cada dia que passa, as pessoas encontram novas funções para as redes sociais.
Nesse caso, um pastor se passa por adivinha sabichão. Ele fala sobre coisas da vida das pessoas como se tivesse um poder divino de clarividência, telepatia ou sei lá o quê.
Muitas pessoas irão dizer: “tá vendo, brasileiro é bicho ignorante“, mas o tal pastor passou pela Inglaterra 2 vezes, fazendo a galera delirar.
Agora, chega de falar, assista o vídeo e se espante:
No meu tempo, esse poder de vidência seria mais facilmente associado aos espíritas, os envagélicos normalmente o veriam como coisa do demônio. Mas hoje, acredito que os espíritas sejam mais elitizados, eles utilizariam o Facebook….rs.
Além de dados ótimos para entendermos um pouco mais da nossa sociedade, o vídeo também mostra a produção artística do graffiti, uma arte marginal. Marginal assim como milhares de pessoas que vivem sem um lugar para morar.
O primeiro que, cercando um terreno, se lembrou de dizer: “isto é meu”, e encontrou criaturas suficientemente idiotas para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil.
- Trecho de “Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens” de Jean Jaques Rousseau
Se eu tivesse que responder à seguinte questão: o que é a escravidão?, e a respondesse numa única palavra: é um assassinato, meu pensamento seria logo compreendido. Eu não teria necessidade de um longo discurso para mostrar que o poder de tirar ao homem o pensamento, a vontade, a personalidade é um poder de vida e de morte, e que fazer um homem escravo é assassiná-lo. Por que então a esta outra pergunta: o que é a propriedade?, não posso eu responder da mesma maneira: é um roubo, sem ter a certeza de não ser entendido, embora esta segunda proposição não seja senão a primeira transformada?
…
Sim, todos os homens acreditam e repetem que a igualdade de condições é idêntica à igualdade de direitos; que propriedade e roubo são termos sinônimos; que toda proeminência social, concedida ou, para melhor dizer, usurpada sob o pretexto de superioridade de talento e de serviço, é iniqüidade e pilhagem: todos os homens, eu digo, atestam estas verdades em sua alma; trata-se só de fazê-los descobrir.
- Trechos de “A propriedade é um roubo” de Pierre Joseph Proudhon.
Diante dos impasses manifestados nas contradições da existência concreta, importantes pensadores contemporâneos optaram por uma reflexão que aproxime as teorias filosóficas da condição humana no mundo. O curso tratará de alguns aspectos das teorias de Marx, Heidegger e Merleau-Ponty, oferecendo chaves de interpretação para leituras do mundo contemporâneo.
O curso apresenta o pensamento de Heidegger e fala sobre a angústia eterna do ser humano. Heidegger vai contra a tradição filosófica de Descartes: “penso, logo existo”. Ele não só leva em consideração o outro na nossa realidade, como aponta a relação entre sujeito e objeto como fundamental.
Segundo Heidegger, somos uma clareira, um espaço vazio que aos poucos é constituído através da existência e da relação com o mundo. Que é preenchido ao longo da vivência.
Isso, e muito mais, está no podcast. Não precisa entender de filosofia para aproveitar o podcast. Porém, quanto maior o seu conhecimento de filosofia, maior o seu aproveitamento.
Deus fez tudo! A morte, a vida, as dores e o mal. Ele é Todo-Poderoso, Onipotente, Onisciente, etc. Esse mesmo Deus, em sua imensa sabedoria, coloca o homem em uma sinuca de bico, ou seja, você vai nascer, vai pecar, vai morrer e terá que ser salvar da perdição eterna. Não há como fugir disto, pois o mundo foi e é moldado conforme o pensamento de Deus.
Lá, antes da criação do mundo, ele sabe que Lúcifer vai se voltar contra ele, e sabe que o homem vai pecar e se voltará contra o Criador, e teremos uma história se arrastado sempre para as duras prestações de contas com ele, ou o Juízo Final (que pelo visto este Juízo já esta atrasadíssimo!). Nesta solene ocasião, Deus irá matar a metade (ou mais da metade) da humanidade para salvar um pequeno grupo que o aceitou (que por sinal, são aqueles que acreditam na Bíblia, ou aceitaram Jesus e o Cristianismo em suas vidas).
Que faz este Deus? Bom, não tendo outra coisa melhor para fazer no Paraíso (pois ficar de nuvem em nuvem eternamente deve realmente ser algo muito chato), ele aperta o um botão e começa o grande jogo da vida.
Antes disso, teve alguns problemas domésticos em seu paraíso e acabou não se entendendo com Lúcifer. Vou mandá-lo para a Terra! Ora, Lúcifer não vai mudar de idéia mesmo, que fique por lá enchendo as paciências dos humanos, pois no fim vou matá-lo mesmo, é só uma questão de tempo.
Ora, não foi capaz, este Deus, de colocar ordem em sua própria casa, e ainda quis criar um mundo. Veja!
Depois disto o que ele faz? Cria o mundo, o homem e a mulher. Tudo muito bom, bonito e perfeito. Perfeito? Este Deus diz: olha gente comam tudo menos disso viu! O que poderia acontecer, a serpente mais inteligente que o próprio Deus (que ele mesmo criou) estraga os planos e convence ao nosso primeiro casal que a fruta é boa. O que acontece? Comem da fruta e Deus castiga o homem com o trabalho e a mulher com o parto.
Livre arbítrio! Que nada! Dá liberdade o mesmo tempo que cria meios para cutucar a liberdade. Dá um tapinha e depois assopra. Que é isto? Que visão de Deus absurda e monstruosa!
Estrepsíades: Olhe ali (aponta a casa de Sócrates). Você está vendo aquela portinha e aquele casebre?
Fidípides: Estou vendo. Papai, de fato o que é aquilo?
Estrepsíades: De almas sábias é aquilo um pensatório (phrontisterion)… Lá moram homens que, quando falam do céu, querem convencer de que é um abafador, que está ao nosso redor, e nós… somos os carvões! Se a gente lhes der algum dinheiro, eles ensinam a vencer com discursos nas causas justas e injustas.
Fidípides: Mas quem são eles?
Estrepsíades: Não sei ao certo seu nome. São pensadores meditabundos, gente de bem!
Fidípides: Ah! Já sei, uns coitados! Você está falando desses charlatães, pálidos e descalços, entre os quais o funesto Sócrates e Querefonte…
Versão adaptada aos dias de hoje em Campinas
Estrepsíades: Olhe ali (aponta a Unicamp). Você está vendo aquele portão e aquele campus?
Fidípides: Estou vendo. Papai, de fato o que é aquilo?
Estrepsíades: De almas sábias é aquilo um pensatório (phrontisterion)… Lá moram homens que, quando falam do céu, querem convencer de que é um abafador, que está ao nosso redor, e nós… somos os carvões! Se a gente lhes der algum dinheiro, eles ensinam a vencer com discursos nas causas justas e injustas.
Fidípides: Mas quem são eles?
Estrepsíades: Não sei ao certo seu nome. São pensadores meditabundos, gente de bem!
Fidípides: Ah! Já sei, uns coitados! Você está falando desses charlatães, pálidos e descalços, pobres meninos ricos.
Referência: Aristófanes, As Nuvens, trad. Gilda Maria Reale Starzynski, in Sócrates, São Paulo, Nova Cultural, 1991, 90-105.
O vídeo fala da evolução humana, mas também podemos transportá-lo pra realidade das mídias. A evolução é uma viagem sem fim.
Daí pra frente, é com a gente. Precisamos evoluir, estamos Nas mãos de Darwin. É preciso fazer diferente, porque igual, já tem muita gente fazendo. De que valem as novas tecnologias se vivemos com as mesmas velhas desculpinhas?
(ah, quem quiser, estou vendendo adesivos “Nas mãos de Darwin a R$ 5 cada um)
Como aprendi em filosofia, a verdade surge do diálogo. Isso é, se surgir, se realmente existir uma. Verdade é um assunto muito relativo e extenso pra um post. Mas o vídeo de Dilma Roussef falando sobre mentir durante a tortura é ótimo.
Não sou PT, não votarei na Dilma, não a considero nenhuma heroína. Quem acompanha esse blog sabe, eu só voto nulo. Não entrego na mão de políticos o pouco que me resta de dignidade e responsabilidade sobre meu futuro.
Mas o vídeo não só demonstra que a verdade é relativa, como que ela necessita de um ambiente propício e de diálogo pra vir à tona. A falácia do deputado Agripino alegando que Dilma é uma mentirosa é pura retórica. Ela pode até mentir (acredito que minta) em outras situações, mas utilizar o exemplo da ditadura é algo baixo, infundado e de um juízo de valor muito pobre.