Liberdade de expressão: Perdeu Playboy

julho 19th, 2010 § 0

Todo mundo já deve estar sabendo, a Playboy portuguesa foi fechada. Todas as revistas foram recolhidas. Tudo isso por causa da capa abaixo.

Não, não foi o governo de Portugal que a fechou, foi a matriz da Playboy nos EUA. É, parece que o grande inimigo da liberdade de expressão quebrou o silêncio.

Não, não estou falando da religião. Estou falando do mercado. Ou você escreve, posta, ilustra, fotografa o que o mercado quer ou está na rua, perde o patrocínio etc. Taí o grande vilão da liberdade de expressão em tempos de neoliberalismo.

Você pode achar que a igreja católica portuguesa esteja por trás disso, mas saiba que os EUA são os inventores do fundamentalismo religioso. Sim, eles são fundadores do Fundamentalismo Cristão. E a Playboy deve fazer parte dessa cúpula. Quem diria?

Por mais estranho que lhe pareça, o livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo” de Max Weber (pasme, ele não é um piloto de Fórmula 1) explica bem a possível relação entre o modelo de negócio americano, no caso a Playboy e a religião protestante.

Neste livro, Weber avança a tese de que a ética e as ideias puritanas influenciaram o desenvolvimento do capitalismo. É aquele velho papo de que o trabalho enobrece o homem e que a mente vazia é a oficina do diabo levada às últimas instâncias fundida com uma certa meritocracia divina.

Espero que depois disso, o povo da superfície entenda porque escândalos de grandes marcas não aparecem na grande mídia. Afinal, eles são os grandes anunciantes que pagam a conta no final. São eles que pagam os salários dos jornalistas e chefes editoriais.

Vídeo Ocupado – A propriedade é um roubo

junho 17th, 2010 § 0

Além de dados ótimos para entendermos um pouco mais da nossa sociedade, o vídeo também mostra a produção artística do graffiti, uma arte marginal. Marginal assim como milhares de pessoas que vivem sem um lugar para morar.

O primeiro que, cercando um terreno, se lembrou de dizer: “isto é meu”, e encontrou criaturas suficientemente idiotas para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil.

- Trecho de “Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens” de Jean Jaques Rousseau

OCUPADO from rodrigo pizza on Vimeo.

Se eu tivesse que responder à seguinte questão: o que é a escravidão?, e a respondesse numa única palavra: é um assassinato, meu pensamento seria logo compreendido. Eu não teria necessidade de um longo discurso para mostrar que o poder de tirar ao homem o pensamento, a vontade, a personalidade é um poder de vida e de morte, e que fazer um homem escravo é assassiná-lo. Por que então a esta outra pergunta: o que é a propriedade?, não posso eu responder da mesma maneira: é um roubo, sem ter a certeza de não ser entendido, embora esta segunda proposição não seja senão a primeira transformada?

Sim, todos os homens acreditam e repetem que a igualdade de condições é idêntica à igualdade de direitos; que propriedade e roubo são termos sinônimos; que toda proeminência social, concedida ou, para melhor dizer, usurpada sob o pretexto de superioridade de talento e de serviço, é iniqüidade e pilhagem: todos os homens, eu digo, atestam estas verdades em sua alma; trata-se só de fazê-los descobrir.

- Trechos de “A propriedade é um roubo” de Pierre Joseph Proudhon.

1º de Maio e Anarquismo na Espanha

maio 16th, 2010 § 0

Conheço muitas pessoas que invejam muitas coisas de outros países. Eu confesso que invejo outros povos também. Invejo o nível intelectual, a educação e a participação pública na política.

Abaixo, veja um vídeo do 1º de maio na Espanha. Enquanto menos da metade dos brasileiros sabem o significado da palavra ANARQUIA, podemos ver uma manifestação como essa na Espanha. Invejo as bandeiras pretas e vermelhas nas ruas.

A Anarquia existe, é um belo movimento que exige muito mais disciplina do que esse capitalismo selvagem. É uma doutrina de vida onde o bem é coletivo, não somente no sentido de posse, mas o bem-estar também deve ser pensado de forma coletiva e não privatizado.

Se quiser saber mais sobre anarquismo, indico umas leituras do meu Baú de Downloads ouacesse o site Anarkio.net.

A matéria sobre o 1º de Maio na Espanha, com fotos, você pode ver aqui.

Muro pra quem?

abril 29th, 2010 § 3

No ano de 2009, os coletivos i|z fotos, Garapa e o fotógrafo Gustavo Pellizzon documentaram a construção/repercussão do muro na favela Santa Marta.

Parte de um projeto maior, que inclui a ocupação policial e urbanização da favela, este muro é foco de grandes debates. O argumento oficial, que justifica-o como “ecolimite” é questionado pelo seu simbolismo segregacionista.

Foram R$ 2 milhões de reais gastos para construir aproximadamente 650 m de muro, por 3 m de altura. Este projeto está sendo implementado em outras favelas da cidade.

Ecobarreiras from iz fotos on Vimeo.

Humor e política na Isla Presidencial

abril 11th, 2010 § 0

É engraçado, mesmo com a tal liberdade que tanto nos vangloriamos é difícil encontrarmos um humor político de qualidade.

Além dos e-mails tendenciosos que enchem nossas caixas de entrada, o CQC é um progama que parece fazer algo melhor, porém, confesso que não vejo muita graça neles.

Agora, fiquei conhecendo a série de animação Isla Presidencial. Demais, esqueça aquelas piadas bestas de direita e esquerda, veja os líderes latinos perdidos numa ilha deserta.

Quem gosta de Lost e conhece um pouco de política vai se divertir muito. Quem (como eu) gosta mais de política do que de Lost também.

Veja o trailer:

Se quiser ver mais, vá ao canal do Isla Presidencial no Youtube, lá já tem o 1º e o 2º capítulo.

A série é obra de um tal da El Chigüire Bipolar, um povo de humor non sense, voltado ao jornalismo e à política.

Dia da mentira, com a palavra Dilma Roussef

abril 1st, 2010 § 2

Como aprendi em filosofia, a verdade surge do diálogo. Isso é, se surgir, se realmente existir uma. Verdade é um assunto muito relativo e extenso pra um post. Mas o vídeo de Dilma Roussef falando sobre mentir durante a tortura é ótimo.

Não sou PT, não votarei na Dilma, não a considero nenhuma heroína. Quem acompanha esse blog sabe, eu só voto nulo. Não entrego na mão de políticos o pouco que me resta de dignidade e responsabilidade sobre meu futuro.

Mas o vídeo não só demonstra que a verdade é relativa, como que ela necessita de um ambiente propício e de diálogo pra vir à tona. A falácia do deputado Agripino alegando que Dilma é uma mentirosa é pura retórica. Ela pode até mentir (acredito que minta) em outras situações, mas utilizar o exemplo da ditadura é algo baixo, infundado e de um juízo de valor muito pobre.

O que eles querem fazer com o mundo?

março 16th, 2010 § 0

Pelas caras e gestos, não é coisa boa.

Suiça livre de transgênicos; Monsanto admite falha

março 10th, 2010 § 0

Vi esse post no Blog do Greenpeace e fiquei muito feliz. Leia abaixo:

Derrotas em série para os transgênicos pelo mundo. Pouco tempo depois da Comissão Europeia aprovar a Amflora, espécie de batata transgênica, governos da Grécia, Áustria, Luxemburgo, Itália, Hungria e França anunciaram publicamente que não vão permitir a nova criatura em seus territórios. Agora, é a vez da Suíça ir além: o país baniu o cultivo de sementes geneticamente modificadas pelos próximos três anos.

Entre os que apóiam a moratória estão os próprios fazendeiros suíços, que parecem ter brilhantemente entendido que o cultivo de transgênico prejudica aos que têm interesse em continuar cultivando sementes convencionais e até mesmo orgânicas, produto que têm alta aceitação no mercado europeu. A decisão é um soco no estômago do presidente da Comissão Europeia José Manuel Barroso, que vem tentando forçar os transgênicos goela abaixo dos países membros.

(Ativistas plantam os dizeres “Livre de Transgênicos” na Suiça)

Por fim, um golpe de misericórdia. Mídia indiana comenta declaração da própria Monsanto, que em caso único em sua história, finalmente admite que sua tecnologia  é falha. A multinacional que monopoliza a tecnologia de modificação genética de sementes, confirmou que a espécie de algodão inserida no país não elimina a necessidade do uso de pesticidas, como o prometido. Insetos e pragas na Índia desenvolveram resistência à semente. A notícia foi comentada pela coordenação de transgênicos do Greenpeace na Índia. (Leia aqui, em inglês).

Todo carnaval tem seu fim

fevereiro 17th, 2010 § 2

Pra mim, essa é uma das melhores músicas dos Los Hermanos, mas hoje apenas me utilizo do título pra comentar um pouco sobre os toques de recolher.

Em 2000 um amigo meu foi morar na Colômbia, passou 1 ano lá. Ele me falou muito bem do país e contou uma curiosidade: nos cassinos, que eram a balada de lá, às 2h em ponto, acendiam as luzes e acabava tudo, como um toque de recolher.

Fazíamos faculdade em Taubaté nessa época. Éramos acostumados a festas que não tinham hora pra acabar. Me lembro de carnavais em clubes que disputavam qual terminava o baile por último. Saí muitas vezes do baile com o dia já claro.

Nos tempos de Serra as coisas mudaram por aqui. Não sei se só no estado de São Paulo ou em todo Brasil. O carnaval desse ano tinha horário pra terminar. O som era cortado às 2h em ponto, como um toque de recolher também.

O que acho engraçado é que o que parece uma mudança brusca pra mim, parece que foi muito bem aceita pelo resto. Além dos que apoiam, tem o que nem reparam, nem se lembram como era antigamente.

Tenho medo do meu filho não conhecer uma noite de carnaval sem fim. Acho que o carnaval é um mal necessário às pessoas, eu pelo menos não abro mão. Citando Los Hermanos: “Deixa eu brincar de ser feliz, Deixa eu pintar o meu nariz”.

Chomsky e as estratégias de manipulação

fevereiro 9th, 2010 § 1

O lingüista estadunidense Noam Chomsky [ 1 ] [ 2 ] [ 3 ], que se define politicamente como “companheiro de viagem” da tradição anarquista, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade.

Entre outros estudos, ele elaborou excelentes livros e textos sobre o papel dos meios de comunicação no sistema capitalista. É dele a clássica frase de que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o estado totalitário”. No didático artigo abaixo, Chomsky lista as “10 estratégias de manipulação” das elites. Recebi esse texto no e-mail, via Brunno. Vale a penar ler e reler:

1- A estratégica da distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

2- Criar problemas, depois oferecer soluções.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da degradação.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente aplicar progressivamente, em “degradado”, sobre uma duração de 10 anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas têm sido impostas durante os anos de 1980 a 1990. Desemprego em massa, precariedade, flexibilidade, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de forma brusca.

4- A estratégica do deferido.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que?

“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre o possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

8- Promover ao público a ser complacente na mediocridade.

Promover ao público a achar “cool” pelo fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- Reforçar a revolta pela culpabilidade.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E sem ação, não há revolução!

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o individuo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

* Não cheguei a checar a fonte do texto de fato, mas pelo pouco que conheço das ideias de Chomsky, ele faz muito sentido.

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