Um amigo meu me perguntou o que eu achava da pixação no Cristo. Ironicamente respondi: um pecado.
Depois disso, muita gente veio discutir, pois sabem que defendo a pixação como arte. Acredito que esse fato em si, como se trata de ano de eleição, tem muita coisa por trás.
Aqui no Brasil o pessoal apronta mais nas eleições do que no carnaval. A frase pichada (com “ch” porque essa não se tratava de arte) perguntando da tal Engenheira Patrícia e a desculpinha dada pelo detido é de morrer.
No cristo estava pichado: “Onde está a engenheira Patrícia“. E depois de preso, o responsável disse que: “era um alerta sobre as inúmeras pessoas que desaparecem no Brasil“. Ah, vai se fuder né?
Mas voltando à discussão, um outro amigo me fez a seguinte pergunta: “Uma arte continua sendo arte quando degrada outra?” Eu lhe respondi com outra pergunta: “Uma vida continua sendo digna mesmo quando degrada outra?”
Não quero ser radical, mas acho que a partir dessa reflexão é possível entender melhor a pixação.
Acho triste ver a que ponto nossa sociedade chegou. Ter um cartão postal internacional pixado e mesmo assim, muitas pessoas continuarem sem enxergar o que está acontecendo. Continuam vivendo na superficialidade do senso comum do jornal nacional.
Acredito que nessas fotos tenha ficado claro que a pixação é um sintoma de pele de uma sociedade doente.
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Vamos lá então. Pixar. Eu nunca pixei mas já grafitei, ou pelo menos tentei. Nessa tentativa eu queria expressar algo que estava sentindo, não era nada político, não era nada social, era apenas um desenho criado por tragos e tragos de psicotropicos ilícitos e alguns lícitos, eu tentei, ficou feio e larguei.
O pixador (de responsa) tem o seu valor político e cultural sim, tem uma visão da sociedade que muitos de nós não temos, eu mesmo, algumas vezes deixo de ser crítico e caio no senso comum, ou no esquema jornal nacional como disse o carioca.
Esse cara que escala prédios, pontes, monumentos só pra por a marca dele no ponto mais alto e inatingível tem muito mais senso crítico do que os pseudointelectuais que reprimem, criticam, esculacham e matam.
A política, a polícia, e a minoria que domina a ponta do triângulo das calsses sociais querem ver apenas o que lhes faz bem, assim como Paulo Coelho escreve apenas o que os fracos querem ler, e claro, querem todos iguais por que é mais fácil ter controle.
O pixador é um artista incompreendido, rebelde, do contra, sempre vai ser, porque toda essa turma que citei ai em cima alimenta nele o sentimento de repressão e todo sentimento tido por um artista é expressado de alguma forma, no caso dos pixadores, com um spray preto fosco e muito culhões para tal ação.
Arte ou não, não me importa muito, o que importa é a atitude de querer respeito de governantes e de melhoria por um país melhor e igual para todos. Porra!
Excelente reflexão Carioca. Eu penso que a palavra chave que deve nos levar a pensar é SUPERFICIAL. Tudo se tornou muito simplista, casca fina, inconsistente. Existe uma ideia implantada de que o Brasil se resume ao eixo Rio-São Paulo – vide péssimo exemplo da Suzana Vieira que arrotou empáfia, arrogância, ignorância e preconceito dizendo que o sertão era o fim do mundo. Os jornais não saem da fórmula catástrofe/política/fechar com boa notícia. Às vezes penso que vivemos na Matrix. A superficialidade, ao mesmo tempo que é uma névoa finíssima, limita a nossa visão pra poucos centímetros do nariz