Vou contar os bastidores de uma das minhas poesias. A “Primitivo” uma das que mais gosto. Ela está no meu livro, e abaixo. Leia e depois veja como ela foi criada.
Você faz idéia de onde veio a inspiração pra essa poesia? Pense 10 segundos, depois leia a história abaixo:
Eu fiz uma oficina de criação literária com o João Silvério Trevisan. Em um dos exercícios para se fazer em casa, era para que a gente escrever nu diante do espelho. Ter apenas papel e lápis à mão, sem roupa, sem nada e escrever um texto literário olhando para si mesmo, nu.
Decidi fazer o exercício antes de dormir. À noite, assisti uma reportagem falando sobre um calendário feito com os jogadores da seleção italiana em fotos eróticas, todos depilados. Olhei pra mim, cabeludo, barbudo e com pelos por todo corpo. Me senti como um Fiat 147 no estacionamento de um shopping de luxo. Então as mulheres agora gostam de homens sem pêlos? Isso me incomodou, mas não o bastante pra tirar o meu sono.
Fui deitar, mas antes, fui fazer o exercício. Foi então que pela primeira vez reparei ou encarei os meus pêlos. Sempre os via como coadjuvantes do corpo. Agora eu estava olhando para eles mesmo. Me senti feliz com eles. Achei que cada um estava no lugar certo, mas a reportagem ainda me incomodava. Então, foi assim que nasceu a poesia “Primitivo”.
O que mais me encomodou no exercício foi a vulnerabilidade. Não costumo andar nu pela casa, me senti desprotegido. Mas acho que até nisso meus pêlos me ajudaram.

Rá! Bacana a história… e muito boa a poesia!
A irregularidade das palavras fez sentido… hehe
Minha geração é nova, mas pareço não me voltar à ela. No que tange ao nu masculino, pelos tornam os homens mais belos, porque mais sinceros com a poesia de ser primitivo. Um verso prematuro é tal homem sem cabelos no corpo. Bonito espelho!