Todo mundo já deve estar sabendo, a Playboy portuguesa foi fechada. Todas as revistas foram recolhidas. Tudo isso por causa da capa abaixo.
Não, não foi o governo de Portugal que a fechou, foi a matriz da Playboy nos EUA. É, parece que o grande inimigo da liberdade de expressão quebrou o silêncio.
Não, não estou falando da religião. Estou falando do mercado. Ou você escreve, posta, ilustra, fotografa o que o mercado quer ou está na rua, perde o patrocínio etc. Taí o grande vilão da liberdade de expressão em tempos de neoliberalismo.
Você pode achar que a igreja católica portuguesa esteja por trás disso, mas saiba que os EUA são os inventores do fundamentalismo religioso. Sim, eles são fundadores do Fundamentalismo Cristão. E a Playboy deve fazer parte dessa cúpula. Quem diria?
Por mais estranho que lhe pareça, o livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo” de Max Weber (pasme, ele não é um piloto de Fórmula 1) explica bem a possível relação entre o modelo de negócio americano, no caso a Playboy e a religião protestante.
Neste livro, Weber avança a tese de que a ética e as ideias puritanas influenciaram o desenvolvimento do capitalismo. É aquele velho papo de que o trabalho enobrece o homem e que a mente vazia é a oficina do diabo levada às últimas instâncias fundida com uma certa meritocracia divina.
Espero que depois disso, o povo da superfície entenda porque escândalos de grandes marcas não aparecem na grande mídia. Afinal, eles são os grandes anunciantes que pagam a conta no final. São eles que pagam os salários dos jornalistas e chefes editoriais.
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