Como já dizia o bom e velho Frank Zappa, sem um desvio da ordem, o progresso é impossível. Até mesmo na ciência é preciso quebrar as regras para progredir. A metodologia científica existe para modelar e como alguns acreditam, imacular as teorias, blindando-as de qualquer desordem. Na ciência a metodologia é uma ótima representante da ordem, mas como acreditam muitos filósofos da ciência, só quando há uma quebra de paradigmas é que a ciência evolui. Um exemplo clássico disso é a descoberta científica de que a Terra é redonda e gira em torno do Sol. Nesse caso, foi preciso romper com a ordem estabelecida na época, tanto pela igreja quanto pela ciência, para que o conhecimento a cerca do nosso planeta progredisse.
No mundo e na história podemos ver vorazes defensores da ordem que se dizem a favor do progresso. E no fundo de seu cinismo eles só querem manter tudo como está. Qualquer um que promova um levante contra a ordem é atacado. Pacificamente atacados, transformam estudantes em vândalos, índios em vagabundos, ateus em demônios e religiosos em terroristas. Tudo pela ordem e nada pelo progresso. Enquanto tudo estiver em ordem, o rei nunca ficará nu.
No feriado de 7 de setembro, a frase ordem e progresso estava na boca do povo, mas me caiu como uma bomba. Nietzsche, sagazmente observou e escreveu que todo nacionalismo é burro. Defender essa afirmação não quer dizer que eu não ame o meu país. Sim, eu amo o Brasil, mas não seu exército, muito menos os seus governantes. Não amo o Brasil a ponto de achar justificável escravizar bolivianos ou chineses. Não amo o Brasil a ponto de odiar outro país. E é esse nacionalismo que vemos por aí. O nacionalismo burro e odioso, afinal o ódio e a burrice são os elementos mais fáceis de alimentar, parecem crescer sozinhos.
No dia em que muitos comemoram a independência, eu até pensei até em ir pras ruas e protestar contra a corrupção, contra o exército e os governantes, mas percebi que até os protestos são carregados de cinismo atualmente. Os protestos mais parecem política partidária, que lutam mais pela ordem e pelo poder do que pelo progresso. Nos meus poucos anos de vida já vi os mais diferentes tipos subirem a rampa do planalto. Algumas coisas mudaram, mas o sistema continua corrompendo os que sentem o gostinho do poder. O sistema é feito para corromper e manter uma falsa ordem que mantém tudo como está. E é justamente nessa hora que o nacionalismo irrefletido entra como uma anestesia em nossas artérias, uma droga que nos mantém alegres e confiantes nesse sistema que mais parece uma máquina de moer gente e que nunca pega a mão do açougueiro sujo.









