Esse é o tema de uma pesquisa que estou fazendo no curso de filosofia. É uma pesquisa pequena, pois sei que o assunto dá muito pano pra manga.
É comum eu ouvir pessoas me perguntando: você vai pesquisar sobre pichação ou grafite? Minha pesquisa é mesmo sobre pichação como arte. Grafite, pra mim, não tem mais o que se discutir, uma vez que empresas pagam pelo trabalho, existem cursos e o melhor, já entrou no museu. Acredito que o grafite já se consagrou arte, e comercial. Por isso mesmo, vem se tornando o mais novo alvo de pichações.
Grafite e pichação sempre foram aliados. Um não atropelava o outro. Mas quando o grafite começou a ser visto como arte, muita gente se utilizou dele para fugir da pichação. Pessoas pagaram para que grafitassem o seu muro, sendo assim, ele não seria mais pichado. Muito desses grafites, atropelaram várias pichações, começando aí um conflito. Hoje, o grafite aliado é visto com maus olhos pelos pichadores.
Para ambientar melhor o assunto, postei abaixo dois vídeos, um sobre a pichação no Rio de Janeiro, outra sobre a pichação em São Paulo.
Se você souber de algo sobre o assunto, tiver um livro para indicar, ou qualquer dica, por favor, deixe seu comentário.
Pixação, com “x” é a pichação arte, diferente das pichações de antes dos anos 80, que eram políticas ou de bandas Punks e Heavy Metal. Você deve estar se perguntando: ARTE? Calma, eu vou chegar lá.
A Caligrafia Árabe, durante muito tempo foi uma das únicas representações artísticas permitidas pelo Islã. Segundo uma revelação trazida por Maomé, era proibida qualquer representação gráfica realista. A partir daí, todo poder criativo do povo árabe se voltou para a caligrafia, tornando-a uma obra de arte indiscutível. Da opressão nasceu a arte.
(isso estampado num muro, seria vandalismo?)
A pichação nasceu com protestos políticos, durante os anos 80 estampou nomes de bandas. Seu visual é inspirado nas runas. Exatamente a partir desses anos, a população brasileira praticamente dobrou, as cidades ficaram maiores e muitas pessoas foram excluídas.
Nascem as favelas, a periferia e toda as comunidades que passam a viver como refugiados dentro do seu próprio país. É nessa comunidade que vivem os pixadores. Muitas vezes barrados na porta de shoppings, lojas ou de bancos, a maneira que eles encontram de “marcarem presença” é através do pixo.
A caligrafia evoluiu, existe uma gama de estilos. E assim como a caligrafia árabe, a pixação nasceu da opressão.
Você pode continuar considerando pixação vandalismo, mas como diria Hakim Bey, é a arte como crime e o crime como arte.O pixo é uma arte de protesto. Você acha que a pixação deixa a cidade feia? E o esgoto a céu aberto? As favelas? As escolas sucateadas, abandonadas pelo governo? As ruas sem pavimentação e sem iluminação das periferias? Isso você acha bonito?
Como diria Choque (pixador): “a pixação surge como uma doença de pele na cidade, que põe entranhas pra fora. Compreendendo a pixação, a sociedade estará compreendendo ela própria, pois toda manifestação artística é reflexo direto dos acontecimentos e valores da sua época. Olhar para a pixação é olhar pra dentro de si próprio, e com certeza, você verá muitas coisas que não irão agradar.”
“A sociedade que nos critica é a mesma que nos educa”
Recebi o link desse post via Twitter pela minha amiga @silpocay. Curti demais. É o trabalho de um coletivo de alemão, o Neozoon. Arte e protesto contra o uso de peles de animais na moda, demais.
“Neozoon, criativo coletivo alemão, decidiu povoar os muros de grandes centros com os maquiavélicos casacos moldados na forma de animais. Ao reviverem – pelo menos por alguns segundos – os pobres bichanos, o grupo cria uma atmosfera lúdica, nostálgica e bastante ácida.” do blog da revista Zupi.
Como sou um mero apreciador da arte plástica, achei fantástico o vídeo mostrado passo a passo da criação. Mas o que mais me impressionou foi o despreendimento do artista, que após todo o trabalho, expõe ele na rua, embaixo de uma placa.
Vejo que essa é uma das grandes transformações do mundo em geral e principalmente do mundo da arte. Embora os museus protejam e preservem muitas obras que não resistiriam a ação do tempo, eles também são grandes penitenciárias de obras de arte. Isolando-as do mundo comum, das pessoas. Pra mim, isso é ruim. Viva a arte na rua.
Sou fã de colagem. Taí uma arte que ainda vou meter as caras. Desde que vi a capa do disco Õ Blésq Blom dos Titãs, feita pelo Arnaldo Antunes, eu comecei a prestar mais atenção em colagens.
Tim Roeloffs é alemão. O cara manda muito bem nas colagens e mostra uma relação de amor e ódio com a cidade de Berlim. Além disso, pelas carinhas que figuram algumas colagens, dá pra ver que ele tem ótima referência literária.