Pixação em exposição :: Caligrafia Mau Dita

julho 13th, 2010 § 0 comments § permalink

Em uma celebração cultural da pixação, também conhecida por “pixo”, o Espaço Matilha Cultural recebe, do dia 13 a 31 de julho, a mostra Caligrafia Mau Dita, dedicada ao trabalho do grupo Os Muito Loucos e convidados da cidade de São Paulo e ABC.

A exposição compreende todo tipo de material gráfico produzido pelo grupo, como esboços caligráficos e folhinhas (peças trocadas entre grupos de pixação para manter viva sua cultura caligráfica). Entre outros destaques do evento, estão o lançamento do documentário Caligrafia Mau Dita, dirigido por Jey (Flávio Ferraz, um dos organizadores da mostra), fotografias de João Wainer e Victor Moriyama e ilustrações de Paulo Ito, artista plástico e ilustrador que aborda o pixo em linguagem de HQ.

Fonte: site da revista Zupi

+Informações:
Exposição: Caligrafia Mau Dita
Data: de 13 a 31 de julho de 2010
Local: Espaço Matilha Cultural
Endereço: R. Rego Freitas, 542, São Paulo
Horário: de terça-feira a sábado, das 12h às 20h
Site: Matilha Cultural

O que a Pixação tem em comum com a Caligrafia Árabe

abril 14th, 2010 § 5 comments § permalink

Pixação, com “x” é a pichação arte, diferente das pichações de antes dos anos 80, que eram políticas ou de bandas Punks e Heavy Metal. Você deve estar se perguntando: ARTE? Calma, eu vou chegar lá.

A Caligrafia Árabe, durante muito tempo foi uma das únicas representações artísticas permitidas pelo Islã. Segundo uma revelação trazida por Maomé, era proibida qualquer representação gráfica realista. A partir daí, todo poder criativo do povo árabe se voltou para a caligrafia, tornando-a uma obra de arte indiscutível. Da opressão nasceu a arte.

(isso estampado num muro, seria vandalismo?)

A pichação nasceu com protestos políticos, durante os anos 80 estampou nomes de bandas. Seu visual é inspirado nas runas. Exatamente a partir desses anos, a população brasileira praticamente  dobrou, as cidades ficaram maiores e muitas pessoas foram excluídas.

Nascem as favelas, a periferia e toda as comunidades que passam a viver como refugiados dentro do seu próprio país. É nessa comunidade que vivem os pixadores. Muitas vezes barrados na porta de shoppings, lojas ou de bancos, a maneira que eles encontram de “marcarem presença” é através do pixo.

A caligrafia evoluiu, existe uma gama de estilos. E assim como a caligrafia árabe, a pixação nasceu da opressão.

Você pode continuar considerando pixação vandalismo, mas como diria Hakim  Bey, é a arte como crime e o crime como arte. O pixo é uma arte de protesto. Você acha que a pixação deixa a cidade feia? E o esgoto a céu aberto? As favelas? As escolas sucateadas, abandonadas pelo governo? As ruas sem pavimentação e sem iluminação das periferias? Isso você acha bonito?

Como diria Choque (pixador):a pixação surge como uma doença de pele na cidade, que põe entranhas pra fora. Compreendendo a pixação, a sociedade estará compreendendo ela própria, pois toda manifestação artística é reflexo direto dos acontecimentos e valores da sua época. Olhar para a pixação é olhar pra dentro de si próprio, e com certeza, você verá muitas coisas que não irão agradar.

“A sociedade que nos critica é a mesma que nos educa”

(pixado em um muro de SP)

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