Baseado em fatos reais

janeiro 24th, 2012 § 0 comments § permalink

Visitando meus pais numa cidade do interior de São Paulo, resolvi cortar o cabelo. Sem muitas indicações, escolhi um daqueles barbeiros à moda antiga: simples, barato e prático. Na fila de espera havia duas pessoas, comigo três, e um rapaz acabava de se sentar na cadeira para raspar a cabeça.

Na maior parte do tempo, o assunto corrente era futebol. Até que, então, o rapaz sentado na cadeira mencionou algo sobre um testemunho de um ex-jogador no canal de televisão de uma igreja. Foi então que o barbeiro começou a falar.

– É, meu irmão, é preciso entregar a vida a Deus. Olha ele ali – apontou para um rapaz que aguardava sua vez – Ele trabalhou a vida toda, agora está fazendo seminário. As pessoas se preparam pra entregar a vida a Deus. Eu não estudei, mas pago o dízimo certinho. Não existe aquela conversa de “o que sobrar eu dou pra igreja”, isso é dar o resto pra Deus, é não confiar Nele. Se você ganha mil reais, tem que separar 10% assim que receber. Tira o dízimo e você vai ver que com o restante você consegue pagar suas contas e o Senhor ainda vai fazer sobrar um pouco.

– Você tem razão, irmão – respondeu o rapaz sentado na cadeira do barbeiro.

O barbeiro continuou com sua eloquência. Contou mais histórias sobre o seminarista, parecia conhecê-lo de longa data. Então, voltou-se para um senhor de barbas longas e brancas e perguntou: – Não é mesmo que só Deus pode guiar nossas vidas?

Prontamente o senhor barbudo respondeu:
– Não acredito em nada disso. Não tenho religião e não acredito em um Deus interessado em mandar na minha vida. Para mim, isso tudo parece uma grande loucura.

– Loucura?! Noé levou 120 anos para construir a arca. Todos os chamavam de louco, mas ele manteve sua fé, pregou a palavra do Senhor e construiu a arca. Só quando viram subir os animais em pares que as pessoas começaram a acreditar nele. Quando veio o dilúvio, eles viram quem é que estava errado – exclamou o barbeiro, já limpando os cabelos da cadeira. O rapaz que acabara de ser atendido, de olhos arregalados, agradeceu pelo corte e pela palavra abençoada do barbeiro.

O senhor de barbas brancas preferiu não dar continuidade ao assunto, apenas sacudiu a cabeça e se encaminhou para a cadeira. O barbeiro insistiu:
– E você sabe quem fechou as portas da Arca de Noé? Os anjos do Senhor, pois nenhum homem tinha força suficiente para fechá-las. Loucura? Está escrito na Bíblia.

Desviando o assunto, o senhor sentou-se na cadeira e disse:
– Quero aparar a barba, só um pouco. E o cabelo, pode cortar bem curto, esse calor está demais.
– Vamos começar pela barba, então – respondeu o barbeiro indignado.

Com a navalha na mão, o barbeiro margeou a barba na sua parte de baixo. No meio do caminho, investiu contra a garganta do senhor, o sangue começou a correr lentamente.

Olhando para o teto, a boca do senhor encheu de sangue antes mesmo que ele conseguisse gritar.

Em silêncio e com as mãos sujas, o barbeiro fez o sinal da cruz, fechou os olhos do morto e começou a rezar com o rosto marcado pelo sangue do senhor.

O artilheiro e o matador

agosto 30th, 2011 § 0 comments § permalink

A polícia já não sabia mais o que fazer. A mídia lançava notícias, informando que faltava pouco para desvendar o mistério do matador, mas, nos bastidores, ninguém tinha a menor pista desse serial killer de jogadores de futebol.

Sua ação era imprevisível porque, acima de tudo, dependia do andamento do jogo. Era impossível saber em que jogo ele agiria. A única coisa que todos sabiam é que ele, com uma mira implacável, dava um tiro fatal no peito do atacante que perdesse um gol feito, daqueles que todo torcedor diz: esse até minha vó fazia.

Já haviam acontecido três mortes. A primeira vítima isolou um pênalti num jogo da Seleção Brasileira. A segunda perdeu um gol de cabeça dentro da pequena área. A terceira driblou o goleiro, tentou fazer de letra e errou o gol. Cada um dos três jogadores caiu com um tiro fatal que acertava o peito, furando o brasão do uniforme. A polícia não sabia sequer se ele estava no estádio ou em algum prédio vizinho nos momentos dos disparos. Nem mesmo se era apenas um atirador ou um esquadrão que não perdoava gols perdidos.
Rafael acabava de retornar para o Juventus, clube no qual havia sido revelado, para encerrar a sua carreira. A volta do jogador, que já fora eleito o melhor do mundo, atraiu muitos patrocínios, mercenários e sanguessugas ao pobre time que acabara de subir para a primeira divisão do campeonato brasileiro. No começo da temporada, Rafael marcou muitos gols na segundona do paulistão. Isso tornou cada vez mais concreto o sonho do milésimo gol. Mas no brasileiro a história era outra. Jogadores de diferentes patrocinadores, atraídos pela mídia que Rafael trazia consigo, garantiam sua posição no grito e no dinheiro. Muitos deles não se falavam nos vestiários. E era visível a desunião da equipe: certa vez, foi preciso até mesmo separar uma briga entre jogadores do mesmo time. A defesa era uma água, o meio não funcionava. Rafael e seu companheiro de ataque ficavam às moscas. A cada partida, o rebaixamento se tornava mais concreto e inevitável.

Contra a rival Portuguesa, o Juventus perdia de sete a zero. Rafael só precisava de mais um gol para alcançar o milésimo. Até que, então, o árbitro marca pênalti para o Juventus. As emissoras de TV passaram a transmitir o momento ao vivo. As torcidas dos dois times ficaram de pé e gritavam o nome de Rafael. Será que mais um jogador brasileiro se consagraria com o milésimo gol? Era o que todos esperavam. Seu parceiro de ataque trouxe a bola e entregou nas mãos de Rafael. Por um minuto o artilheiro pensou: se marcasse, eternizaria seu milésimo gol numa derrota histórica, num vexame; se perdesse, poderia fatalmente ser alvo do matador.

Com as mãos na cintura Rafael olhava nos olhos do goleiro tentando enxergar o futuro. Pensou, suspirou, sentiu o suor que escorria de sua cabeça raspada que escondia alguns cabelos brancos. Rafael partiu para a bola e chutou com toda a sua força. A bola passou alguns metros acima do gol e foi parar na torcida, que catatônica, não acreditava no que acabava de ver. Rafael decidiu que enfrentar a derrota seria pior do que morte, pois teria que aprender a conviver com ela.

Colocou as mãos na cabeça e fechou os olhos esperando pela picada fatal em seu peito. De repente, sente um empurrão. Policiais e jogadores se jogaram em cima dele para protegê-lo. Os câmeras e os fotógrafos varriam as arquibancadas e prédios com suas lentes de longo alcance. Depois de um tempo, Rafael se levantou. Nenhum sinal do atirador.

No dia seguinte, todos os jornais crucificaram Rafael que, segundo eles, não servia nem para fazer gol de honra. A imprensa passou a tratá-lo como um desonrado, responsável pela decadente campanha e pelo rebaixamento do Juventus. Mas o que nenhum jornal falou foi que, depois do dia do pênalti perdido por Rafael, nunca mais o matador voltou a agir. Perderam-se inúmeros gols e nenhum outro jogador foi abatido.

Em casa, aposentado e com a família, Rafael mandou enquadrar sua foto com as mãos na cabeça após perder o pênalti. Toda vez que olhava para ela, ele tinha a certeza de que ainda, em algum lugar, ainda lhe restava um fã.

Zero à esquerda

julho 13th, 2011 § 0 comments § permalink

- Perdão, meu senhor, mas não estou lhe reconhecendo.

- Senhor? Para com isso ou eu também te chamo de senhora. Apesar da careca e das rugas que eu tenho e você não tem, somos do mesmíssimo ano de 62.

- Meu Deus. Desculpe a franqueza, mas ou o senhor, quer dizer, ou você está muito acabado ou eu estou conservada demais.

- Por cavalheirismo, sou obrigado a ficar com a segunda hipótese. Sob protestos.

- Tá certo, agradeço. Agora, se me dá licença…

- Eu usava cabelo repartido e aparelho nos dentes.

- Sei, sei.

- Sentava na mesma fileira, 3 carteiras atrás de você. Professora Maria Luiza, antigo quarto ano primário. Ah, bala Soft de limão, isso não te lembra nada?

- Absolutamente. Porque, deveria?

- Não é possível, olha bem pra minha cara.

- Desculpa, sou péssima fisionomista. Ai, que situação chata, senhor, ou melhor, moço. Quarto ano primário… sei lá, José Alfredo?

- Tá frio, bem frio.

- Reynaldo?

- Ichi, chutou a bola pra fora do estádio.

- Dézão. Você é o Dézão!

- Nossa, esse era feio demais. Acabou comigo agora.

- Erivelton.

- O Jurema? O Erivelton Jurema? Tá querendo dinamitar minha autoestima. Na aula de Educação Física chamavam ele de Buda. Faça-me o favor… uma vez, estudando na sua casa pra prova de recuperação de matemática, você ficou passando o pé na minha canela debaixo da mesa. Tava um gelo naquela noite, você usava meia de lã toda listada, igual a das Frenéticas. Só não correspondi ao afago porque tinha na época um chulé insuportável. Outra dica: Carnaval de 81 e 82, eu fui de Barney nos dois anos…

- Ok, agora chega. Meu marido é aquele ali que tá buzinando, tenho que ir e acho que não é o caso de saber quem você é. Depois de tanto tempo, não vai fazer diferença mesmo.

- Espera aí, mas aquele lá no carro é o Marquinho Bereba. Vai dizer que você casou com aquele tranqueira?

- Bom, depois que levei o fora do Silvio, foi o ombro amigo dele que me valeu e me tirou da depressão. Fizemos bodas de prata no ano retrasado. Ah, mas chega de ficar dando satisfação da minha vida pra quem não devo. Até mais, senhor…

- Silvio.

© Direitos Reservados

Marcelo Pirajá Sguassábia é redator publicitário e colunista em diversas publicações impressas e eletrônicas.

Não mais que dois minutos de Marcelo Sguassábia

maio 30th, 2011 § 1 comment § permalink

Ilustração de Thiago Cayres.

Texto de Marcelo Sguassábia.

Não mais que dois minutos

Caros encarnados iludidos, só tenho dois minutinhos para permanecer neste plano atrasado de vocês e transmitir uma ou outra notícia que dê rumo e alento à crescente legião de humanos sem fé. Por isso falarei o que for lembrando e que seja de relevância, no escasso tempo que me é permitido.

Chico Xavier exerce função contrária à que se dedicava quando estava no horrendo planetinha de vocês, ou seja, psicografa os pensamentos e lamúrias dos vivos dirigidos aos que já foram dessa pra melhor.

Hitler serve uma reconfortante canja diária a todas as vítimas do holocausto (são mais de cinco milhões de refeições a cada 24 horas, o que transformou o seu sono eterno em insônia eterna). Além disso, o dito cujo sofre de LER, devido ao incessante movimento da mão direita levando a colher do prato à boca dos ex-prisioneiros. Por compreensível falta de tempo, o monstro nazista não é frequentador assíduo das barbearias celestes, e seu célebre bigodinho hoje rivaliza com o de Nietzsche.

Suas orações-decoreba são inúteis, pois se perdem nos círculos do purgatório muito antes de alcançarem o mais rasteiro dos planos superiores. É claro que um Pai Nosso bem rezado opera milagres, mas quase sempre é recitado no piloto automático. Não percam mais tempo com fórmulas e mantras, abram o coração e digam o que querem dizer do seu jeito. Dá muito mais resultado e não cansa a beleza do santo de plantão.

Bin Laden não chegou onde vocês imaginam que esteja, ou seja, no inferno não há nem sinal do ex-amiguinho do Bush. Tem alguma coisa errada na informação que seus elementares meios de comunicação difundiram.

Darwin tem passado os últimos cem anos tentando entender e codificar a criação do mundo em 7 dias, pois foi isso o que de fato aconteceu, por mais que ele relute em admitir. O louvado cientista britânico debruça-se numa teoria que denomina provisoriamente de “Evolução dos Espíritos”, e não mais das espécies. Aliás, lá em cima o Charles Darwin não desgruda da Gioconda, aquela do famoso sorriso enigmático que Da Vinci perpetuou no Louvre. Diga-se de passagem que o tal sorriso da moça não tem nada de enigmático, pelo menos depois de morta, embora o Darwin ache lá sua graça. Falar em Da Vinci, o multimídia do Renascimento, ultimamente anda morrendo de rir dos códigos, significados ocultos e símbolos maçônicos presumivelmente embutidos nos seus quadros. Diz que esse tal de Dan Brown é um zombeteiro de marca maior, a quem o Filho do Homem e Maria Madalena irão chamar pra uma conversa séria depois que bater com as botas.

Michael Jackson descobriu que é na verdade fruto da relação extraconjugal que Miles Davis teve com uma pipoqueira carioca, que por sua vez era tida e havida na Cinelândia como amante do Nelson Cavaquinho. A roupa suja ainda está sendo lavada, porém aos poucos os ânimos dos envolvidos vão se serenando com a intercessão de Cleópatra. Contudo, a forma como o rebento nascido em Madureira foi parar no Jackson Five permanece um mistério a ser elucidado.

Quanto à anunciada proximidade do fim do mundo, que alguns vigaristas anunciam como sendo favas contadas, é preciso que se diga que há um fundo de verdade na boataria, já que…

Opa…. espera aí, agora não, eu preciso terminar… mas já passaram dois minutos? Devagar, não me puxa, deixa pelo menos eu me despedir…

Um dia de anjo

abril 25th, 2011 § 1 comment § permalink

Acordou antes do despertador, mas ainda sentia sono. Levantou sonolento e caminhou para o banheiro. Perto da porta do quarto derrubou os livros e objetos que estavam em cima da prateleira com um esbarrão. Achou estranho, esfregou os olhos e foi só então que sentiu um peso em suas costas. Abriu a porta do armário e ficou mudo ao ver que havia asas enormes em suas costas.

Passou bons minutos se observando, tentando entender o que estava acontecendo. Por um instante se desesperou imaginando como esconderia a novidade das pessoas. Tratou de fechar todas as cortinas. Foi então que se voltou novamente para o espelho. As asas eram brancas e enormes, como as de um anjo. Sentiu algo extremamente positivo dentro de si. Viu que as asas saiam de sua pele, sem nenhum ferimento, eram perfeitas como se ele já houvesse nascido com elas.

Abriu as asas, mal cabiam dentro do espaço do seu pequeno kitnet. Com um pouco mais de empolgação derrubou um abajur e dois quadros com as asas. Abertas elas ficavam ainda mais bonitas, de uma perfeição divina. Sentiu-se um escolhido. Questionou sua missão na Terra, seu futuro, sentiu-se na obrigação de ajudar os outros. Desceu correndo para a área de lazer do seu prédio. Tentou bater asas para voar, mas não voou. Devia ser porque era um anjo iniciante.

Saiu de casa sem camisa, exibindo suas asas. Seu tórax parecia mais forte. Ele se sentia perfeito. Inevitavelmente todos olhavam para ele. Ao ajudar uma idosa a atravessar a rua pode ver os olhos da senhora cheios de lágrimas e de emoção. Ela pediu para tocar suas asas e foi embora radiante, como uma abençoada por um anjo que caiu dos céus.

No restante do dia, ele só fez boas ações. Como anjo, não poderia aceitar a segunda-feira como início inadiável de uma rotina medíocre. Compareceu no emprego apenas para anunciar a sua transformação, dizer que nada seria como antes, mas que todos poderiam contar com ele. Mesmo ao anoitecer ainda tentou bater asas e voar, mas não voou. Sentia-se cansado, mas realizado, seu dia havia sido perfeito. Apenas a sua presença, e de suas asas, já trazia o bem para o local. Ladrões arrependidos se entregaram e choraram aos seus pés.

Não se lembrava de outra segunda-feira tão boa em sua vida. Merecia um descanso. Mesmo se sentindo um anjo, via que ainda carregava muito do seu corpo humano, como a fome e o cansaço. Foi pra casa. O descanso era mais do que merecido depois de um dia de anjo.

No dia seguinte, acordou com uma tremenda dor nas costas. Não sabia se era o esforço por tentar voar ou se ainda não estava acostumado a dormir com as asas. Foi esfregar os olhos, suas mãos e braços desapareceram, vieram ao rosto apenas as asas. Deu um pulo e levantou, correu para o espelho com seus pés de ave. Ao olhar no espelho, finalmente entendeu o que estava acontecendo, a transformação estava completa. Ele não era mais um anjo, mas sim, uma galinha.

 

Academia Brasileira de Letras lança novo desafio

julho 7th, 2010 § 0 comments § permalink

Agora a pendenga é com o Machado de Assis. E aí, vai encarar?
Assista o vídeo com mais detalhes sobre o desafio aqui.

Saiu o resultado do Concurso de Microcontos da Academia Brasileira de Letras.

julho 1st, 2010 § 1 comment § permalink

Saiu hoje o resultado do concurso de microcontos da Academia Brasileira de Letras. Foram 2.293 microcontos inscritos. Curiosamente, nenhum deles tinha como tema as eleições ou a Copa do Mundo.

Os três grandes vencedores foram:

1º lugar:Toda terça ia ao dentista e voltava ensolarada. Contaram ao marido sem a menor anestesia. Foi achada numa quarta, sumariamente anoitecida“.
/via @bdapieve

2º lugar:Joguei. Perdi outra vez! Joguei e perdi por meses, mas posso apostar: os dados é que estavam viciados. Somente eles, não eu“.
/via @carlaceres

3º lugar:Não sabia ao certo onde tecer sua teia. Escolheu um cantinho de parede da cozinha. Acertou na mosca“.
/via @Eryckmaga

Eu participei, mas nem apareci na lista. Fazer o quê? Confesso que fiquei com uma ponta de inveja deles, gostei de todos, mas eu inverteria a ordem de colocação. Pra mim, o Eryckmaga realmente acertou na mosca, merecia o 1º lugar.

O meu microconto era: “Pobre infeliz. Buscava a felicidade no trabalho“.

Vendo os vencedores acima, percebi que era preciso melhorá-lo. Então, fiz uma nova versão: “Pobre infeliz. Todos os dias, levantava cedo e se arrumava conforme o figurino da firma. Todos os dias, buscava a felicidade no emprego“. Será que eu teria mais chance?

Tá afim de seguir a ABLetras no Twitter? Clique aqui e boa viagem.

Related Posts with Thumbnails

Where Am I?

You are currently browsing entries tagged with conto at Brechó do Carioca.

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline