Criança indígena de 8 anos é queimada viva por madeireiros

janeiro 6th, 2012 § 0 comments § permalink

Roubei esse post do Conexão Brasília Maranhão.

Quando a bestialidade emerge, fica difícil encontrar palavras para descrever qualquer pensamento ou sentimento que tenta compreender um acontecimento como esse.

Na última segunda-feira (3) semana*. uma criança de oito anos foi queimada viva por madeireiros em Arame, cidade da região central do Maranhão.

Enquanto a criança – da etnia awa-guajá – agonizava, os carrascos se divertiam com a cena.

O caso não vai ganhar capa da Veja ou da Folha de São Paulo. Não vai aparecer no Jornal Nacional e não vai merecer um “isso é uma vergonha” do Boris Casoy.

Também não vai virar TT no Twitter ou viral no Facebook.

Não vai ser um tema de rodas de boteco, como o cãozinho que foi morto por uma enfermeira.

E, obviamente, não vai gerar qualquer passeata da turma do Cansei ou do Cansei 2 (a turma criada no suco de caranguejo que diz combater a corrupção usando máscara do Guy Fawkes e fazendo carinha de indignada na Avenida Paulista ou na Esplanada dos Ministérios).

Entretanto, se amanhã ou depois um índio der um tapa na cara de um fazendeiro ou madeireiro, em Arame ou em qualquer lugar do Brasil, não faltarão editoriais – em jornais, revistas, rádios, TVs e portais – para falar da “selvageria” e das tribos “não civilizadas” e da ameaça que elas representam para as pessoas de bem e para a democracia.

Mas isso não vai ocorrer.

E as “pessoas de bem” e bem informadas vão continuar achando que existe “muita terra para pouco índio” e, principalmente, que o progresso no campo é o agronegócio. Que modernos são a CNA e a Kátia Abreu.

A área dos awa-guajá em Arame já está demarcada, mas os latifundiários da região não se importam com a lei. A lei, aliás, são eles que fazem. E ai de quem achar ruim.

Os ruralistas brasileiros – aqueles que dizem que o atual Código Florestal representa uma ameaça à “classe produtora” brasileira – matam dois (sem terra ou quilombola ou sindicalista ou indígena ou pequeno pescador) por semana. E o MST (ou os índios ou os quilombolas) é violento. Ou os sindicatos são radicais.

Os madeireiros que cobiçam o território dos awa-guajá em Arame não cessam um dia de ameaçar, intimidade e agredir os índios.

E a situação é a mesma em todos os rincões do Brasil onde há um povo indígena lutando pela demarcação da sua área. Ou onde existe uma comunidade quilombola reivindicando a posse do seu território ou mesmo resistindo ao assédio de latifundiários que não aceitam as decisões do poder público. E o cenário se repete em acampamentos e assentamentos de trabalhadores rurais.

Até quando?

Atualização – 0h16 (06/01)

As informações sobre o episódio foram divulgadas pelo jornal Vias de Fato (www.viasdefato.jor.br), que faz um trabalho muito sério em São Luís, especialmente dedicado à cobertura da atuação dos movimentos sociais. No seu perfil no Facebook, uma das coordenadoras do Vias de Fato publicou a foto e a informação de que se tratava de uma criança queimada. Estamos apurando e reunindo mais informações para publicar assim que possível.

*O crime não ocorreu segunda (3) como informei. No sábado (31) o jornal Vias de Fato foi informado do episódio, mas não diz em que dia ocorreu. O Vias está fora do ar (algum problema técnico, creio), mas o cache do Google ainda permite a visualização da nota publicada na noite do sábado. Clique aqui.

Em seu primeiro protesto, Alana entrega troféu de empresa manipuladora para Mattel

dezembro 4th, 2011 § 0 comments § permalink

O Instituto Alana fez o 1º protesto do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana. Eles foram para a porta da sede da Mattel, em São Paulo, entregar o troféu de “Vencedora do Prêmio Manipuladora – Dias das Crianças 2011” e questionaram a quantidade alarmante de publicidade da empresa direcionada ao público infantil: foram aproximadamente 8.900 comerciais veiculados em 15 canais, nos 15 dias que antecederam o Dia das Crianças.

O dado é um dos resultados da pesquisa inédita “Monitoramento da publicidade de produtos e serviços destinada a crianças”, realizada entre 27 de setembro e 11 de outubro pelo Observatório de Mídia Regional da Universidade Federal do Espírito Santo em parceria com o Instituto Alana.

A empresa campeã foi a Mattel, com 50% de publicidade a mais que a segunda colocada, a fabricante Hasbro, que anunciou cerca de 6 mil vezes para crianças no período.

Embora as marcas de brinquedos tenham sido as mais anunciadas nos dias monitorados, o direcionamento de publicidade para o público menor de 12 anos não se limita a produtos infantis. O levantamento identificou que, entre todas as publicidades veiculadas no período, a criança foi alvo de 64% dos anúncios.

Veja os principais dados da pesquisa:

Nas semanas que antecederam o Dia das Crianças o mercado não perdeu tempo em dizer para os pequenos os que eles devem comprar e usar. Estamos pertinho do Natal e haverá um novo bombardeio de publicidade…

Hoje as crianças são um alvo preferencial dos apelos para o consumo. São elas que passam a maior parte do tempo em frente às tevês – em média mais de cinco horas por dia, segundo último levantamento do Ibope, de 2010. Também já se sabe que os pequenos participam do processo decisório de 80% das compras da casa, de acordo com pesquisa da Interscience, de 2003. Mas anunciar para esse público não é ético.

Estudos em todo o mundo mostram que não há vantagem para o desenvolvimento infantil expor crianças a apelos comerciais. Existe, sim, um consenso de que esses apelos têm um impacto relevante em problemas recorrentes da sociedade atual, como a obesidade infantil, o consumo precoce de álcool, a adultização da infância e a diminuição das brincadeiras criativas. Fora o tal do estresse que os pais passam a cada cabo de guerra que travam com os filhos para explicar que é impossível ter tudo o que se quer.

Leia a pesquisa na íntegra

Leia a carta do Projeto Criança e Consumo enviada à Mattel

Veja o vídeo do protesto

 

Deadlines x Ócio criativo

novembro 7th, 2011 § 0 comments § permalink

Tão óbvio que foi preciso pedir ajuda para as crianças para conseguir explicar.

Feliz Dia da Crianças

outubro 12th, 2011 § 0 comments § permalink

Assista abaixo o documentário Criança, a alma do negócio e faça o seu Dia das Crianças mais feliz.

Muitas cidades contam com eventos públicos para a criançada no 12 de outubro. Leve seu filho pro parque, pro zoológico ou para a praia, você verá que a felicidade dele será muito mais espontânea do que aquela que ele sente rasgando papéis de presente. Criança que brincar,  criança quer criança. Feliz Dia das Crianças pra você.

Pai e mãe, fazer o Dia das Crianças mais feliz não é fácil com tanta propaganda na TV, mas só depende da gente. Conheça mais sobre o assunto no Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana e no blog Consumismo e Infância.

 

 

Publicidade infantil não!

outubro 11th, 2011 § 0 comments § permalink

Publicidade Infantil Não! Por um Dia das Crianças mais feliz! Olha que infeliz esta propaganda sobre um seminário sobre marketing e propaganda voltados para o público infantil. Os publicitários e marketeiros perderam mais uma ótima oportunidade de tentar descobrir novas alternativas para uma sociedade menos problemática, pois prefiriram trocá-la pelo lucro rápido e fácil.

Com a publicidade infantil o cérebro da criança é bombardeado de informações inúteis em pleno desenvolvimento cogniscente. Isso atrapalha não só o desenvolvimento da criança. Basta lembrar que ela pode amanhã estar num carro ao lado do seu no trânsito, na universidade com o seu filho, pode ser o namorado da sua filha e ter sérios problemas para lidar com frustrações, etc.

Apoie essa causa. Diga não à publicidade infantil.

Caça às bruxas? CONAR e McDonalds juntos pela obesidade infantil

julho 17th, 2011 § 1 comment § permalink

O título eu alterei, mas o texto eu peguei de outro blog. Acho importante divulgar ao máximo essa notícia. Afinal, eu tenho filhos.

Por Marcus Tavares

Já assistiu ao comercial acima? Identificou alguma incoerência? Não? Mas saiba que existe e é grave. O comercial do McDonalds foi exibido, exaustivamente, nos cinemas, durante a exibição do filme de animação infantil “Rio”. A campanha – que “vende” brindes colecionáveis de personagens do filme – fala diretamente com crianças menores de 12 anos e acaba induzindo-as a consumirem o McLanche para ganhar os brindes.

Coisa de criança? Sim. Mas tal medida fere o próprio código de ética da empresa McDonalds e o acordo de autorregulamentação firmado junto à Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) e à Associação Brasileira de Anunciantes (Aba). Pelo documento, o McDonalds não poderia anunciar nenhum tipo de produto voltado para crianças menores de seis anos. O comercial foi exibido nas sessões do filme, que tinha classificação livre.

O departamento jurídico do Instituto Alana, em São Paulo, entrou com um recurso, em 14 de abril, junto ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), fazendo a denúncia e solicitando a suspensão da propaganda. O comercial, sem nenhuma manifestação do órgão, foi retirado do ar. Mas somente em 16 de junho é que o Conar se posicionou sobre o recurso.

Além da demora, o teor do documento chamou a atenção do Instituto Alana e de vários segmentos da sociedade que lutam pelo direito das crianças. Assinado pelo relator Enio Basílio Rodrigues, o parecer é, sem dúvida, ofensivo e equivocado, desrespeitando a democracia e, acima de tudo, entidades que estão na defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

O parecer traz, entre outros, os seguintes trechos:

“(…) Já que estamos falando de crianças com menos de 12 anos e de uma representação ilustrada por um desenho animado infantil vale a fantasia de trocarmos o nome do instituto por outro mais característico – a bruxa Alana, que odeia criancinhas”.

“Ao contrário das bruxas do meu tempo que esperavam as crianças engordarem para devorá-la, a bruxa Alana – antroposófica, esverdeade e termogênica – prefere deixá-las bem magrinhas. Sim, a criança que ameaça ficar gordinha aciona imediatamente a vassoura digital da bruxa Alana”.

“Crianças foram feitas para azucrinar e para isso existe, quando necessário o famoso não!, sem precisar ameaçar a chamar a bruxa”.

“Creio que o Instituto Alana está olhando o Brasil de cabeça para baixo. (…) Suécia e Dinamarca têm por base evitar que suas crianças de olhos azuis fiquem gordinhas, o Brasil tem por base acabar com a desnutrição dos nossos meninos moreninhos”.

“Cada vez mais crianças pedirão um brinquedo para o pai e este orgulhosamente dirá: sim, eu posso. Queira ou não queira a Alana”.

Em resposta, o Instituto Alana respondeu em seu blog: “O parecer de apenas duas páginas tem distorções e ofensas que jamais foram vistas em cinco anos de atuação do Projeto Criança e Consumo. E vale ressaltar: mesmo com tantos absurdos, o Conselho do Conar votou por u-na-ni-mi-da-de a favor do parecer. Por isso, pela total falta de respeito com que esse caso foi julgado, não reconhecemos mais o Conar como uma entidade séria e legítima para garantir a ética na publicidade brasileira. Entendemos que uma autorregulamentação como essa de fato não protegerá a infância brasileira dos abusos comerciais. É preciso uma legislação específica que proteja nossas crianças desses abusos. De novo: essa não é somente uma preocupação do Alana, mas também de 76% dos pais brasileiros que afirmaram em pesquisa do Datafolha que a publicidade de fast food prejudica seus esforços na educação alimentar de seus filhos”.

Segundo o Instituto Alana, a venda de alimentos com brinquedos vem sendo criticada em todo o mundo. No Brasil, o Ministério Público Federal instaurou inquérito em 2009 para investigar essa prática em três cadeias de fast food. A Assembleia de Belo Horizontre acabou de aprovar um projeto de lei que proíbe venda de lanches com brindes para crianças. Fora as várias proposições que tramitam no Congresso Nacional sobre essa questão.

Quem é pai ou mãe e tem condições de levar seus filhos ao cinema e depois financiar um lanche, sabe o quanto a publicidade voltada para as crianças influencia. Quem é pai ou mãe e não tem condições de levar seus filhos ao cinema e depois financiar um lance, sabe mais ainda. A promoção do McDonalds dos brindes dos personagens do filme “Rio” durou um mês. O McLanche Feliz trazia oito diferentes brindes. Para uma criança ter todos os brinquedos, ela teria que comprar o McLanche Feliz duas vezes por semana.

Leia na íntegra o parecer do Conar

Grandes Marcas :: Itaú e os Direitos da Criança

maio 30th, 2011 § 0 comments § permalink

Gaiolas de Vidro

Texto by @rubensgualdieri

No fundo, no fundo, a imagem não mente: “toda criança tem direito a aprender ler e a escrever”, desde que esteja do lado de dentro da vidraça. O lado onde o crédito é abundante, a fartura é um fato e o bem estar é feito pra você.

Assim como a beleza, que também existe do lado de dentro da fachada de vidro dos shoppings, que por sua vez, está do lado de dentro da vidraça da loja.

O lazer é encontrado nos bares, cercados por vidro, que isola quem está se divertindo, de quem está pedindo. Do lado de dentro do vidro, é fácil se encontrar com a realidade, isolado pela limpeza e segurança que o vidro proporciona. Mantém distância segura de andarilhos que fazem gracinha e até posam para fotografias. Uma espécie de zoológico ao contrário.

A saúde é encontrada nos ambientes mais envidraçados que conhecemos. Todo guichê com vidros é o passaporte para a saúde, tão logo você passe para o lado de lá.

O vidro é o elemento perfeito de conhecimento. Enxergar sem aproximar. Conhecer a realidade que nos cerca, cercados pelo ar-condicionado.

Tudo é questão de localização. Do lado de dentro ou do lado de fora.

 

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