Resposta à Marcia Tiburi sobre o Funk Carioca

novembro 7th, 2011 § 0 comments § permalink

Li o artigo A nova moral do funk de Márica Tiburi e resolvi escrever uma resposta a ela. Está nos comentários do artigo, mas posto aqui também.

O ponto que o texto levanta sobre a comercialização da sexualidade é bom. É um mercado promissor no capitalismo, mais uma maneira de reificar os corpos. Porém, lendo esse artigo, temos a impressão de que o Funk Carioca começou com o proibidão. Faltou pesquisa, acredito.

Assim como os funkeiros, acadêmicos também gostam de ganhar dinheiro com suas apresentações. Nisso, acabamos vendo palestras quase que pasteurizadas, beirando a autoajuda por causa de uma pressão do dinheiro/mercado. Com o funk não é diferente, mas ao invés de autoajuda o público busca pornografia. Mas, assim como não podemos dizer que todo o público de uma palestra de filosofia busca autoajuda, não podemos dizer que todo o público do funk busca pornografia. Nem todo filósofo pende para a autoajuda assim como nem todo funkeiro pende para a pornografia.

É preciso lembrar que o Funk Carioca que nos anos 80 dava seus primeiros passos não era composto de pornografias. Existia sim, assim como existe no samba, axé, mas em minoria.

Nessa época o Funk Carioca foi proibido de ser tocado nos bailes do asfalto. Policiais invadiam os bailes e atiravam nas caixas de som para inutilizar o equipamento. O Funk Carioca encontrou tranquilidade junto aos marginalizados do morro, onde a polícia não tinha “moral”de estragar a festa.

Trata-se de um movimento cultural que depois de abafado pela repressão ganhou o mundo. O Funk Carioca merece mais respeito e estudo. Embora sofra uma pressão forte do mercado, o Funk Carioca não pode ser resumido a pornografia simplista, ainda mais se utilizando de Adorno para atacá-lo. Adorno se referia aos ouvintes de Wagner, não de músicas do gueto, como é o caso do Blues, do Jazz e do Funk Carioca.

Onde está a pornografia nos versos: “É som de preto / de favelado / mas quando toca / ninguém fica parado”? Onde está a pornografia nas músicas do Claudinho e Buchecha, e naquela gravada por Adriana Calcanhoto? Pra quem não sabe, Claudinho e Buchecha foi revelado pelo Furacão 2000 e não pela Globo. Dizer que o Funk Carioca começou no proibidão é o mesmo que dizer que a MPB começou com Jorge Vercilo.

Para a princesa falar sobre o povo, é preciso primeiro sair do castelo.

Jamais vou discutir o conhecimento filosófico da Marcia Tiburi, mas o conhecimento sobre funk, eu conquistei ao longo de anos. Adoro funk carioca, pra falar mal dele na minha frente, precisa ter ótimos argumentos. Salve DJ Malboro e MC Batata. Salve Furacão 2000.

Veja o que o DJ Malboro diz a partir dos 5 minutos.

Ajude a Fazenda Roseira. Assine a Petição Pública.

setembro 2nd, 2011 § 0 comments § permalink

Assine a Petição Pública online e ajude a Casa de Cultura Fazenda Roseira a manter seus projetos culturais e sociais. É rápido e fácil. (link da petição)


Numa região carente de políticas públicas a Fazenda Roseira presta grandes serviços para a comunidade. São cursos de idiomas, aulas de capoeira entre muitas outras atividades envolvendo arte, cultura e meio ambiente.

A Casa de Cultura Fazenda Roseira está sem luz, sem água e recentemente foi assaltada. A Petição Pública é para reivindicar da prefeitura de Campinas a ligação imediata da luz e da água, segurança, revitalização do local e regularização da cessão de uso do espaço. Assine, ajude e divulgue.

Conheça mais sobre a Casa de Cultura Fazenda Roseira no Facebook, no Twitter, no Youtube e no Flickr.

Insultos à memória de Vladimir Safatle

maio 16th, 2011 § 0 comments § permalink

Você já deve ter visto o Vladimir Safatle comentando notícias no Jornal da TV Cultura. Não só acho muito pertinente os comentários como também compartilho de muitas de suas opiniões.

Depois de ler o Lacerdismo Cultural, me deparei com esse outro ótimo artigo. Os dois deveriam ser estudados no ensino fundamental, para formarmos cidadãos melhores.

Insultos à memória

Em Rondônia, há uma pequena cidade chamada Presidente Médici. Este é o mesmo nome de um estádio de futebol em Sergipe.

Os paulistanos que quiserem viajar de carro para Sorocaba conhecerão a rodovia Castello Branco. Aqueles que procurarem uma via sem semáforos para o centro da capital paulista poderão pegar o elevado Costa e Silva.

Há mesmo alguns paulistanos que moram na rua Henning Boilesen: nome de um empresário dinamarquês, radicado no Brasil, que financiava generosamente a Operação Bandeirante e que, em troca, podia assistir e participar de torturas contra presos políticos na ditadura militar.

Há alguns anos, os são-carlenses foram, enfim, privados da vergonha de andar pela rua Sérgio Fleury: nome de um dos torturadores mais conhecidos da história brasileira. Estes são apenas alguns exemplos da maneira aterradora com que o dever de memória é praticado no Brasil.

Se monumentos, cidades e lugares públicos podem receber o nome seja de ditadores que transformaram o Brasil em um Estado ilegal resultante de um golpe de Estado seja de torturadores sádicos é porque muito ainda falta para que a memória social sirva como garantia de que o pior não se repetirá. Sem esta garantia vinda da memória, os crimes do passado continuarão a destruir a substância normativa do presente, a servir de ameaça surda à nossa democracia.

Lembremos como o Brasil foi capaz de legalizar o golpe de Estado em sua Constituição de 1988. Basta lermos o artigo 142, no qual as Forças Armadas são descritas como “garantidoras dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Ou seja, basta, digamos, o presidente do Senado pedir a intervenção militar em garantia da lei (mas qual? Sob qual interpretação?) e da ordem (social? Moral? Jurídica?) para legalizar constitucionalmente um golpe militar.

Tudo isso demonstra como ainda não há acordo sobre o que significou nosso passado recente. Por isso, ele teima em não morrer. Um núcleo autoritário e violador dos direitos humanos nunca foi apagado de nosso país. Não é por acaso que somos o único país latino-americano onde o número de casos de tortura em prisões cresceu em relação à ditadura.

O que não deve nos surpreender, já que ninguém foi preso, nenhuma mea-culpa dos militares foi feita, ninguém que colaborou diretamente com a construção de uma máquina de crimes estatais contra a humanidade foi objeto de repulsa social.

Que a criação de uma Comissão da Verdade possa, ao menos, fazer com que o Brasil pare de insultar a memória dos que sofreram nas mãos de um Estado ilegal governado por usurpadores de poder.

Que ninguém mais precise morar em Presidente Médici.

 

* Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 3 de maio de 2011.

** Vladimir Safatle é professor do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), bolsista de produtividade do CNPq e professor-visitante das Universidades de Paris VII e Paris VIII. Um dos coordenadores do Laboratório de Estudos em Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (Latesfip/USP), é autor de “A Paixão do Negativo: Lacan e a Dialética” (Unesp, 2006), “Folha Explica Lacan” (Publifolha, 2007), “Cinismo e Falência da Crítica” (no prelo), organizador de “Um Limite Tenso: Lacan Entre a Filosofia e a Psicanálise” (Unesp, 2003) e co-organizador de “Ensaios de Música e Filosofia” (Humanitas, 2007), “Sobre Arte e Psicanálise” (Escuta, 2006) e “O Tempo, o Objeto e o Avesso: Ensaios de Filosofia e Psicanálise” (Autêntica, 2004). É ainda responsável por pesquisas do CAEPM (Centro de Altos Estudos em Propaganda e Marketing).

O Carnaval e o Bloco dos Mal Amados

março 12th, 2011 § 1 comment § permalink

Uma pena, mas o carnaval já acabou. Como invejo os baianos que se entregam ao brado retumbante do carnaval e esticam um pouco mais, deixando até a quarta-feira de cinzas mais colorida. Fico revoltado quando vejo pessoas que criticam gratuitamente o carnaval. É o Bloco dos Mal Amados. Muitos dizem que o carnaval é perdição, pecado e indecência. Outros dizem que ele aliena o povo brasileiro. Se fosse só ele, estaria fácil de acabar com os problemas do país. Como bom feriado religioso o pobre carnaval acabou crucificado. Acorda Brasil, sem o carnaval a roubalheira na política continuaria como o samba do crioulo doido. As pessoas continuariam pegando DSTs. A alienação seria a mesma nos 365 dias do ano. Quem pode mudar isso é você, não o carnaval.

O problema é que as pessoas gostam de fazer o caminho mais curto, gostam de culpar o mais evidente, quem está mais perto, de pé no chão, sambando pra levar a vida. E aí o carnaval entra de comissão de frente para todos os problemas do Brasil. O Bloco dos Mal Amados quer que o carnaval dê um jeito na educação do país. PARA TUDO! É a educação quem deve dar um jeito no carnaval. Enquanto o carnaval continuar sendo pintado como perversão e não como diversão, as coisas só vão piorar. Existem muitas famílias que não carregam a tradição de pular carnaval, de levar os filhos pra folia. Ao contrário, ficam praguejando, reclamando do confete do vizinho, até que então, chega o dia em que seus filhos estão na idade de pular carnaval sozinhos. Aí meu caro amigo, não adianta rodar a baiana, é tarde demais pra explicar que carnaval é diversão. Que o álcool em excesso pode estragar a festa. Que um sexo sem camisinha pode comprometer outros carnavais e que uma briga pode por um ponto final na folia de uma vida inteira.

Carnaval é cultura minha gente. Sempre gostei de pular carnaval. Aprendi com meus pais e hoje levo os meus filhos. Sem sombra de dúvida essa é a data que mais gosto no ano. Na verdade eu não gosto, eu sou apaixonado por carnaval. Principalmente o carnaval de rua. Lá quem não sabe sambar pode cair no samba sem medo de ser feliz. No carnaval de rua a moda fica no chinelo, quanto mais esquisito melhor. Alguns amigos dizem que não tenho cara nem jeito de folião. Costumo responder que a gente só conhece alguém de verdade depois de um carnaval. Porque é no carnaval que, mesmo fantasiado de outra pessoa, você pode ser você mesmo. O carnaval está muito além do que consegue enxergar o Bloco dos Mal Amados. Um grito de carnaval vale mais do que mil palavras, e não pode ser descrito em apenas uma imagem. São precisas muitas fotos, muito confete e muitas risadas pra se fazer um carnaval.

 

Minha ignóbil inspiração

A sabedoria de Mafalda

março 3rd, 2011 § 1 comment § permalink

Fortaleza parte 2: hospitalidade e humor com H maiúsculo.

novembro 28th, 2010 § 0 comments § permalink

Me senti em casa. Mesmo que no início eu tenha conversado apenas com recepcionistas do hotel e guias turísticos, já saquei que ia gostar muito de lá. Dizem que Fortaleza é o Rio de Janeiro de 20 anos atrás, ou seja, minha casa.



Depois de fazer um City Tour e conhecer mais da cultura do local, vi que o cearense é um povo de bem com a vida, com identidade forte e uma cultura maravilhosa. Ouvi muitas histórias de José de Alencar na Praia de Iracema, de Castelo Branco durante o regime militar, de Farias Brito filósofo cearense, de Raquel de Queirós e do povo local.

Enquanto o pau comia do solto na minha terra natal, o Rio de Janeiro, fiz ótimas amizades em Fortaleza, fui muito bem recebido, do início ao final. Eles reclamavam do trânsito de lá, que para mim, parecia ótimo.

Quando eu colocava o pé na faixa de pedestres os carros paravam em plena Avenida Beira Mar. Sem sinal nem radar com foto. Parecia milagre. A primeira vez que isso aconteceu foi com um taxista, achei que era média com turista, fui reparando e vi que é um costume local. Não tenho a menor esperança de ver isso em Campinas. Aqui, é mais fácil ver um carro avançar o sinal vermelho mesmo com pedestres atravessando e radar com foto.



Adorei o povo cearense, vi muitas camisas do Flamengo e descobri que eles têm um dom natural para o humor. Se um dia se sentir triste em Fortaleza, saia de onde estiver, pegue um ônibus, peça informação, pare numa padaria ou supermercado, duvido que você não encontre alguém bom de piada e de bem com a vida que não te faça rir.

Ato Cultural no MIS – sábado 25/09 – 10h

setembro 20th, 2010 § 2 comments § permalink

O Ato Cultural MIS no Palácio tem como objetivo lutar contra a transferência do Museu da Imagem e do Som (MIS) para a Estação Cultura e discutir o descuidado com a Cultura-Arte em Campinas.

Convidamos a população para conhecer algumas das atividades do MIS, se unir a essa luta para que o MIS permaneça na sua sede atual, o Palácio dos Azulejos (Rua Regente Feijó, 859), no Centro da cidade, e assinar o abaixo assinado que será entregue ao Prefeito de Campinas.

Programação de Atividades

9h30 Concentração na Estação Cultura
10h Início da manifestação até o MIS (sai da Estação Cultura, desce a R. 13 de Maio atéa Catedral e vai para o MIS)
12h Oficina história em quadrinhos (com Coletivo Miséria) – sala 37
13h Bate-papo com Coletivo Feminista – sala vermelha de cinema
13h Oficina Esquizodrama, tema: cidade + arte (com coletivo Devir) – sala 38
14h Vídeos Pedagogia da Imagem (com Batata) – salãozão de cinema
14h Paradinha: Audição de LP’s – (com Flávia) – sala de audição
14h Oficina Pintura Coletiva (com Daniel Coxa – Ateliê Oráculo) – ateliê
14h Circuito conheça o MIS – Passeio pelo acervo do Museu (com Joaquim ou Kleber)
14h Oficina Fotofilmes (com Luiz Andreghetto) – sala vermelha de cinema
15h Áudiodescrição de curta-metragem (com Bell Machado) – sala vermelha de cinema.

Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas
Palácio dos Azulejos – Rua Regente Feijó, 859 – Centro – Campinas (SP)
Telefone: (19) 3733-8800.

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