Diga não à ditadura digital

agosto 16th, 2011 § 0 comments § permalink

Rápido e fácil. Nesse vídeo você fica sabendo como e porque lutar contra os projetos do Deputado Azeredo e cia.

Insultos à memória de Vladimir Safatle

maio 16th, 2011 § 0 comments § permalink

Você já deve ter visto o Vladimir Safatle comentando notícias no Jornal da TV Cultura. Não só acho muito pertinente os comentários como também compartilho de muitas de suas opiniões.

Depois de ler o Lacerdismo Cultural, me deparei com esse outro ótimo artigo. Os dois deveriam ser estudados no ensino fundamental, para formarmos cidadãos melhores.

Insultos à memória

Em Rondônia, há uma pequena cidade chamada Presidente Médici. Este é o mesmo nome de um estádio de futebol em Sergipe.

Os paulistanos que quiserem viajar de carro para Sorocaba conhecerão a rodovia Castello Branco. Aqueles que procurarem uma via sem semáforos para o centro da capital paulista poderão pegar o elevado Costa e Silva.

Há mesmo alguns paulistanos que moram na rua Henning Boilesen: nome de um empresário dinamarquês, radicado no Brasil, que financiava generosamente a Operação Bandeirante e que, em troca, podia assistir e participar de torturas contra presos políticos na ditadura militar.

Há alguns anos, os são-carlenses foram, enfim, privados da vergonha de andar pela rua Sérgio Fleury: nome de um dos torturadores mais conhecidos da história brasileira. Estes são apenas alguns exemplos da maneira aterradora com que o dever de memória é praticado no Brasil.

Se monumentos, cidades e lugares públicos podem receber o nome seja de ditadores que transformaram o Brasil em um Estado ilegal resultante de um golpe de Estado seja de torturadores sádicos é porque muito ainda falta para que a memória social sirva como garantia de que o pior não se repetirá. Sem esta garantia vinda da memória, os crimes do passado continuarão a destruir a substância normativa do presente, a servir de ameaça surda à nossa democracia.

Lembremos como o Brasil foi capaz de legalizar o golpe de Estado em sua Constituição de 1988. Basta lermos o artigo 142, no qual as Forças Armadas são descritas como “garantidoras dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Ou seja, basta, digamos, o presidente do Senado pedir a intervenção militar em garantia da lei (mas qual? Sob qual interpretação?) e da ordem (social? Moral? Jurídica?) para legalizar constitucionalmente um golpe militar.

Tudo isso demonstra como ainda não há acordo sobre o que significou nosso passado recente. Por isso, ele teima em não morrer. Um núcleo autoritário e violador dos direitos humanos nunca foi apagado de nosso país. Não é por acaso que somos o único país latino-americano onde o número de casos de tortura em prisões cresceu em relação à ditadura.

O que não deve nos surpreender, já que ninguém foi preso, nenhuma mea-culpa dos militares foi feita, ninguém que colaborou diretamente com a construção de uma máquina de crimes estatais contra a humanidade foi objeto de repulsa social.

Que a criação de uma Comissão da Verdade possa, ao menos, fazer com que o Brasil pare de insultar a memória dos que sofreram nas mãos de um Estado ilegal governado por usurpadores de poder.

Que ninguém mais precise morar em Presidente Médici.

 

* Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 3 de maio de 2011.

** Vladimir Safatle é professor do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), bolsista de produtividade do CNPq e professor-visitante das Universidades de Paris VII e Paris VIII. Um dos coordenadores do Laboratório de Estudos em Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (Latesfip/USP), é autor de “A Paixão do Negativo: Lacan e a Dialética” (Unesp, 2006), “Folha Explica Lacan” (Publifolha, 2007), “Cinismo e Falência da Crítica” (no prelo), organizador de “Um Limite Tenso: Lacan Entre a Filosofia e a Psicanálise” (Unesp, 2003) e co-organizador de “Ensaios de Música e Filosofia” (Humanitas, 2007), “Sobre Arte e Psicanálise” (Escuta, 2006) e “O Tempo, o Objeto e o Avesso: Ensaios de Filosofia e Psicanálise” (Autêntica, 2004). É ainda responsável por pesquisas do CAEPM (Centro de Altos Estudos em Propaganda e Marketing).

Da ditadura à democracia de Gene Sharp

maio 9th, 2011 § 0 comments § permalink

Gene Sharp é um cientista político americano. Um especialista em revoluções não-violentas, foi um dos inspiradores da revolução do Egito.
Sharp é o autor de “Da Ditadura à Democracia – um guia conceitual para a libertação”. O livro de apenas 93 páginas, disponível para download em 24 línguas tem inspirado dissidentes em países como Mianmar, Bósnia, Estônia e Zimbábue – e agora, na Tunísia e no Egito.

Sharp, de 83 anos, vive hoje em uma pequena casa em Massachusetts, comprada em 1968. Assistiu à revolução egípcia pela televisão. “O povo do Egito fez isso. Não eu.”, diz.

Sharp inspirou seu trabalho nos ensinamentos de Gandhi. Seus textos falam de desobediência civil, boicotes econômicos e luta por direitos civis. De acordo com ele, a não-violência é a melhor arma contra uma ditadura. “Se você luta com violência, está lutando com a melhor arma do seu inimigo. Será um herói corajoso e morto”.

Pelo visto, estão lançando um filme sobre a vida deste pacífico guerreiro. Ainda não há legendas em português, mesmo assim, posto o trailer abaixo pra quem tiver interesse em conhecer mais sobre Gene Sharp.

 

A verdadeira face da política externa dos EUA

fevereiro 28th, 2011 § 0 comments § permalink

As pessoas não estão surpresas por ver as ditaduras do Oriente Médio sendo enfrentadas. Mas sim porque todas essas ditaduras eram patrocinadas pelo país que se proclama o maior defensor da democracia mundial, os EUA. Vamos recordar algumas façanhas dos EUA.

- Eles treinaram o Osama Bin Laden para lutar contra os Soviéticos Russos. Depois de expulsá-los, Osama ajudou a implantar a ditadura do Taleban no Afeganistão.

- Sadam Hussein foi criado e enforcado pelos EUA também. Os EUA começaram a patrocinador o ditador Hussein na antiga guerra Irã-Iraque. Se você não tem idade para se lembrar disso, pergunte aos seus pais.

- Mais recentemente, no fim dos anos 90 tivemos o caso de Timor Leste. Um território massacrado pelo exército da Indonésia, governada por um ditador patrocinado pelos EUA. Pelos registros, o massacre de Timor Leste foi um dos maiores da humanidade.

- Os EUA patrocinavam também a ditadura no Paquistão. Depois que ela foi derrubada pelo povo, rompeu relações com o país e começou a patrocinar seu principal rival e vizinho Índia. Onde os conflitos, inclusive religiosos entre muçulmanos e hindus, são constantes.

- Também dizem as más línguas que os EUA patrocinaram as ditaduras militares da América Latina, inclusive do Brasil com a sua operação Brother Sam.

- Assim como Hitler presenteou seu amigo fascista Franco com um bombardeio a Guernica, foco rebelde na Guerra Civil Espanhola, os EUA patrocinam ataques e genocídios pelo mundo. Vide Israel e Palestina.

Para quem tinha alguma esperança em Barack Obama, o Egito nos mostrou que ele mantém a mesma política externa baseada na guerra e na força.


Fico triste em ver e descobrir tudo isso. Mesmo vendo o povo triunfar como o caso do Egito, me dá uma certa angústia. Parece que somos insignificantes demais e quando ficamos sabendo da verdade (se é que ficamos sabendo), já é tarde, os interesses já são outros, os planos mudaram, mas a desgraça continua.

* a maioria dos dados citados acima foram tirados do livro Propaganda e Consciência Popular de Noam Chomsky.

Maio de 68

setembro 29th, 2009 § 0 comments § permalink

Os muros só deveriam existir para as reivindicações graffitadas do povo

- Manoel Affonso de Mello

maio_68

A anarquia sou eu.
É proibido proibir.
Antes de escrever, aprenda a pensar.
A ação não deve ser uma reação, mas uma criação.
Fim da liberdade aos inimigos da liberdade.
As armas da crítica passam pela crítica das armas.
O sonho é realidade.
A barricada fecha a rua, mas abre a via.
Abram as janelas dos seus corações.
As paredes tem ouvidos. Seus ouvidos tem paredes.
A liberdade do outro estende a minha ao infinito.
O agressor não é aquele que se revolta, mas aquele que reprime.
A imaginação toma o poder.
O estado é cada um de nós.
A novidade é revolucionária, a verdade também.
A poesia está na rua.
A palavra é um coquetel molotov.
Camaradas, o amor também se faz na faculdade de ciências.
Ainda não acabou.

La teta asustada – Realismo mágico e realidade dura no Peru

setembro 17th, 2009 § 1 comment § permalink

Filme vencedor do Festival de Berlim deste ano, o peruano ” La Teta Asustada” mostra realidade que já foi vivida no país, a partir do cotidiano de Fausta (Magali Solier) que “contrai” doença transmitida pelo leite materno das mulheres vítimas de violência sexual entre as décadas de 60 e 70 no país andino.

- por Daniela Gillone

la-teta-asustada-(2008) “La teta asustada” conta a história de mulheres peruanas que foram estupradas durante a ditadura militar no Peru, mostrando o trágico do imaginário andino e a conflituosa relação das diferenças sociais no país. O filme é um espelho da realidade vivida no Peru, onde a dominação por parte da população privilegiada sobre os nativos é revelada com a paisagem típica do subdesenvolvimento peruano, com andinos entre as colinas e as longas escadarias que levam a outras colinas, em contraste com o contexto urbano da cidade Lima, com pessoas letradas e endinheiradas.

A ficção que a cineasta peruana Claudia Llosa constrói com a complexa relação entre mãe e filha, originárias das comunidades indígenas andinas que migram para a cidade, deixa latente o pânico gerado pela violência sexual. É através da doença “la teta asustada”, contraída pelo leite materno, que a personagem cria um universo próprio como forma de se proteger do mundo externo.

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