Vamos precisar de mais

dezembro 16th, 2011 § 0 comments § permalink

Um projeto social de empresas pintou várias casas para mudar a vida da favela. Porra, pra mudar a vida deles é preciso muuuito mais que isso.

Quantos moradores da favela trabalham de forma direta ou indireta pra Vivo e Suvinil? Quantos deles tem condições dignas de trabalho? Não adianta cobrar metas inantingíveis do seu telemarketing pagando miséria e depois pintar a casa do vizinho. A sustentabilidade tem que estar em todo o processo, de ponta a ponta.

Quando eu digo que a arte vai salvar o mundo, não estou falando sobre ações de marketing. Embora exista um lado positivo, são apenas a azeitona da empada. É preciso muito mais.

Além disso, quando digo isso é porque eu acredito que só a arte ensina o ser humano a lidar com as diferenças, desperta a sensibilidade e realmente humaniza. Só a arte (e talvez o esporte) são capazes de quebrar o comportamento mecânico do homem moderno.

 

 

Muro pra quem?

abril 29th, 2010 § 3 comments § permalink

No ano de 2009, os coletivos i|z fotos, Garapa e o fotógrafo Gustavo Pellizzon documentaram a construção/repercussão do muro na favela Santa Marta.

Parte de um projeto maior, que inclui a ocupação policial e urbanização da favela, este muro é foco de grandes debates. O argumento oficial, que justifica-o como “ecolimite” é questionado pelo seu simbolismo segregacionista.

Foram R$ 2 milhões de reais gastos para construir aproximadamente 650 m de muro, por 3 m de altura. Este projeto está sendo implementado em outras favelas da cidade.

Ecobarreiras from iz fotos on Vimeo.

O que a Pixação tem em comum com a Caligrafia Árabe

abril 14th, 2010 § 5 comments § permalink

Pixação, com “x” é a pichação arte, diferente das pichações de antes dos anos 80, que eram políticas ou de bandas Punks e Heavy Metal. Você deve estar se perguntando: ARTE? Calma, eu vou chegar lá.

A Caligrafia Árabe, durante muito tempo foi uma das únicas representações artísticas permitidas pelo Islã. Segundo uma revelação trazida por Maomé, era proibida qualquer representação gráfica realista. A partir daí, todo poder criativo do povo árabe se voltou para a caligrafia, tornando-a uma obra de arte indiscutível. Da opressão nasceu a arte.

(isso estampado num muro, seria vandalismo?)

A pichação nasceu com protestos políticos, durante os anos 80 estampou nomes de bandas. Seu visual é inspirado nas runas. Exatamente a partir desses anos, a população brasileira praticamente  dobrou, as cidades ficaram maiores e muitas pessoas foram excluídas.

Nascem as favelas, a periferia e toda as comunidades que passam a viver como refugiados dentro do seu próprio país. É nessa comunidade que vivem os pixadores. Muitas vezes barrados na porta de shoppings, lojas ou de bancos, a maneira que eles encontram de “marcarem presença” é através do pixo.

A caligrafia evoluiu, existe uma gama de estilos. E assim como a caligrafia árabe, a pixação nasceu da opressão.

Você pode continuar considerando pixação vandalismo, mas como diria Hakim  Bey, é a arte como crime e o crime como arte. O pixo é uma arte de protesto. Você acha que a pixação deixa a cidade feia? E o esgoto a céu aberto? As favelas? As escolas sucateadas, abandonadas pelo governo? As ruas sem pavimentação e sem iluminação das periferias? Isso você acha bonito?

Como diria Choque (pixador):a pixação surge como uma doença de pele na cidade, que põe entranhas pra fora. Compreendendo a pixação, a sociedade estará compreendendo ela própria, pois toda manifestação artística é reflexo direto dos acontecimentos e valores da sua época. Olhar para a pixação é olhar pra dentro de si próprio, e com certeza, você verá muitas coisas que não irão agradar.

“A sociedade que nos critica é a mesma que nos educa”

(pixado em um muro de SP)

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