Late Bloomers – O amor não tem fim, esse é o título de um filme que assisti.
Uma comédia dramática que conta a história de um casal que se aproxima dos sessenta anos de idade. O marido, arquiteto, tenta se manter jovem e atualizado, enquanto a esposa, procura se adaptar à terceira idade.
Tudo isso, gera vários conflitos entre o casal. Mas o mais interessante é como eles se conversam pelo olhar. Sem dizer nenhuma palavra, só pelo modo de olhar, por um leve inclinar de cabeça e com gestos sutis das mãos, frases inteiras são ditas. O casal trava diálogos apenas com os olhares. Uma intimidade ímpar, que acredito que o tempo de convivência pode trazer.
Pode soar estranho no mundo machista em que vivemos onde homens devem gostar somente de tiros e explosões, mas eu gosto de comédias dramáticas. Existe sensação melhor do que quando estamos com os olhos cheios de lágrimas e surge uma cena que nos faz rir? Eu não conheço.
Choro e riso é o que acontece quando somos dominados pela emoção, não tem nada mais forte, a razão vai toda por terra. Pra mim, aprender a desfrutar do riso e do choro é o que nos torna melhor. O cinema estava bem vazio. Num mundo perfeito, acredito que mais pessoas gostariam de comédias dramáticas.
Voltando ao filme, embora eu ainda esteja na casa dos trinta, me identifiquei muito com o casal. Sempre penso no meu envelhecimento, acompanho o envelhecimento dos meus pais. Imagino meus filhos crescidos e com autonomia. Ainda me lembro de um poema que escrevi para minha esposa, quando ainda namorávamos, contando como seríamos no futuro, um casal de velhinhos apaixonados. Foi um dos meus primeiros poemas.
De forma um pouco adolescente e com rimas bem duvidosas, o poema falava sobre essa intimidade, onde um olhar basta para se fazer entender. Falava também da companhia, que nenhuma outra atividade, nem a literatura, é capaz de suprir ou superar. E o filme, também falava de tudo isso com belas imagens, ótimas interpretações e diálogos fortes. É um filme delicioso de se ver, leve e comovente ao mesmo tempo.
Num mundo perfeito eu choraria no final, mas no mundo machista em que vivemos, esperei os créditos passarem, respirei fundo e sai firme do cinema.
Muitos filósofos defenderam que não exatamente a tristeza, mas a angústia é um sentimento positivo. Pois é a partir dela que encontramos força e direção para seguir em frente. Quando você está triste, pode não saber o que quer, mas sabe exatamente o que não quer.
Se você as vezes fica muito puto da vida, ou simplesmente, em certas situações não tem vontade de sorrir, fique tranquilo. Você não é uma aberração da natureza. Você é apenas humano.
É contra essa obrigatoriedade de ser feliz, seja com seu carro, sua roupa ou na lanchonete com os amigos que parece brincar o projeto do Thomas Tristonho. Gostei muito do vídeo abaixo, de um artesão falando sobre tristeza.
Agora, se passa na Bolívia. Quando Che Guevara tentava levar a revolução a toda América Latina. Independente de visão política eu gostei e recomendo o primeiro filme. Primeiro porque dá uma quebrada no mito CHE, que no fundo é apenas um idealista que acreditava e realizou parte do seu sonho.
Segundo porque mostrou um pouco mais dos outros envolvidos na revolução. Mostrou Camilo Cienfuegos, um anarquista quase tão popular ou mais do que Che durante a revolução. Ele morreu de forma misteriosa um ano após a revolução, seu avião desapareceu. Dizem que foi traição do governo comunista. Pra quem não sabe, anarquismo e comunismo não é a mesma coisa.
Pretendo assistir a segunda parte. Gosto de histórias assim. Onde o foco não fica nos aviões, no sangue e nas mortes, mas sim nas histórias e fatos de uma dura realidade. Pra inspirar, veja abaixo o discurso de Che Guevara na ONU.
Filme vencedor do Festival de Berlim deste ano, o peruano ” La Teta Asustada” mostra realidade que já foi vivida no país, a partir do cotidiano de Fausta (Magali Solier) que “contrai” doença transmitida pelo leite materno das mulheres vítimas de violência sexual entre as décadas de 60 e 70 no país andino.
- por Daniela Gillone
“La teta asustada” conta a história de mulheres peruanas que foram estupradas durante a ditadura militar no Peru, mostrando o trágico do imaginário andino e a conflituosa relação das diferenças sociais no país. O filme é um espelho da realidade vivida no Peru, onde a dominação por parte da população privilegiada sobre os nativos é revelada com a paisagem típica do subdesenvolvimento peruano, com andinos entre as colinas e as longas escadarias que levam a outras colinas, em contraste com o contexto urbano da cidade Lima, com pessoas letradas e endinheiradas.
A ficção que a cineasta peruana Claudia Llosa constrói com a complexa relação entre mãe e filha, originárias das comunidades indígenas andinas que migram para a cidade, deixa latente o pânico gerado pela violência sexual. É através da doença “la teta asustada”, contraída pelo leite materno, que a personagem cria um universo próprio como forma de se proteger do mundo externo.
A arte vai salvar o mundo, e o The Age of Stupid é mais um passo nessa direção. Trata-se de um híbrido de documentário-drama-animação com participações pesadas como Thom Yorke do Radiohead, o ator Pete Postlethwaite e outras figuras mundiais, que estréia no dia 21 de setembro de 2009.
Depois da Era do Gelo, acho que A Era da Estupidez (The Age of Stupid) é um recado pros pais. Se você fica bravo com o seu filho porque ele bateu o carro, o que você vai dizer pros filhos dele quando verem que você não fez nada pelo mundo? Quando eles souberem que vivem num inferno só porque você tinha que trocar de carro todo ano? Porque tinha que trocar de celular 3 vezes ao ano.
Acredito que a maior mensagem aí, é dizer que somos incompetentes porque queremos. O pior cego é o que não quer ver. Se você planeja comprar uma casa, ou um sítio, não venha me dizer que não se preocupa com o meio ambiente. Se você faz planos para o ano que vem, pense no meio ambiente. Repito: o planeta não precisa de você, é você que precisa dele, cara pálida.
Além de tudo, a plataforma do site e da divulgação do filme é muito interessante. Tem várias maneiras de colaboração, tanto para colaboração e divulgação quanto pra exibição mesmo. Vale a pena conhecer e navegar um pouco. um projeto inovador. Mais um passo a caminho da arte livre.
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Brechó do Carioca.
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