1- A CULPA NÃO É SUA: se o mundo está cheio de injustiças, de pessoas passando fome enquanto outras andam de helicóptero, você não tem nada a ver com isso. Graças ao bom Deus você nasceu em uma família com condições de lhe dar uma vida digna e boa educação. Apenas lamente que os miseráveis não tiveram as mesmas oportunidades que você. Os ricos só são ricos porque eles trabalharam muito pra ter aquele montante de dinheiro: pessoas como Eike Batista, Steve Jobs e Bill Gates são grandes gênios que souberam aproveitar as oportunidades e as portas que lhes foram abertas. Os pobres, mendigos e marginalizados em geral são pobres porque querem ou porque não tiveram educação suficiente.
2- O ESTADO É NEUTRO: a polícia está aí só para te proteger. A justiça, apesar de ser um pouquinho lenta, ainda é cega dentro dos limites do aceitável. Se os serviços públicos (como saúde e educação) são de qualidade duvidosa, isso é culpa dos governantes [ver o passo nº3]… Por isso opte sempre pelos serviços básicos privados.
3- A CULPA É DO GOVERNO: o governo está abarrotado de salafrários corruptos. É tudo culpa deles! Nada é culpa sua [releia o passo nº 1]. Se você votou nas últimas eleições, é porque você foi obrigado a isso. Se alguém te questionar em quem você votou, e como seu deputado está se comportando, diga que você votou nulo porque você não acredita no governo. Lembre-se sempre: nada é culpa sua. Você faz a sua vida e dá as costas pro governo, porque, afinal de contas, você é melhor que todos eles juntos. Eles só servem para roubar os seus impostos. Nesse ponto você deve ficar bravinho, mas sem fazer nada. No máximo soltar uma frase de efeito.
4- IGNORE A HISTÓRIA: direitos sociais, políticos e civis? O que é tudo isso? Faça-se de desentendido. Acredite: os direitos do cidadão NÃO foram conquistados com muita luta, muito protesto, muita gente na rua e muito sangue derramado. Eles já estavam aí quando você nasceu, logo, ELES CAÍRAM DO CÉU. Acredite: nós já temos direitos demais. Apesar de tudo ser culpa do governo [releia o passo nº3], trate com sarcasmo e ódio as pessoas que saem às ruas para protestar: eles são apenas vagabundos e/ou filhinhos de papai com saudosismo da ditadura, e que estão aí fechando o trânsito.
5- EU SÓ QUERO É SER FELIZ: andar tranquilamente pela Paulista, olhando as vitrines, consumindo, comendo no Starbucks, passeando pelo shopping. Viva para trabalhar, trabalhe para consumir e lembre-se: o consumo é a única razão de você estar aqui. Os insumos da cesta básica estão caros demais? Fazer o que né. É a vida. As taxas cobradas pelo banco estão muito altas? Deve haver alguma explicação. É a vida. Os impostos estão cada vez mais altos? Releia o passo nº3. E se o dinheiro não está dando, procure um outro emprego. NEM PENSE em reivindicar melhores salários. Se a culpa nunca é sua, ela também não é do seu patrão. O seu patrão é apenas um investidor honesto… Ele já tem muito o que pagar com seus funcionários, com a estrutura da empresa e com os impostos. Um aumento no seu salário só iria lhe prejudicar. E não se esqueça: sindicato é coisa de bandido. A luta sindical e coletiva é desnecessária hoje em dia [releia o passo nº4].
E se, além de seguir religiosamente todos esses passos, você sentir um ódio visceral e infantil contra quem não concordar com eles, PARABÉNS!!!! Você estará avançando um nível: deixando de ser um cidadão otário e alienado pra se tornar um FASCISTA.
Acredito que a única maneira clara de definir o objeto da filosofia é dizer que ela se ocupa de todos os resíduos, de todos os problemas que ficam ainda insolúveis, após experimentar todos os métodos aprovados anteriormente. Ela é o depositário de tudo o que foi abandonado por todas as ciências, em que se encontra tudo o que não se sabe como resolver.
Os gregos costumavam dizer que: a barba não faz o filósofo. Afinal, os filósofos costumam ser solitários e quietões. Já a barba te torna um homem muuuiito melhor.
Dá uma olhada nos pensamentos, mais do que filosofia, isso é sabedoria da mais alta qualidade. Se quiser ver mais, tem lá no The Beradly.
Esse é o tema de uma pesquisa que estou fazendo no curso de filosofia. É uma pesquisa pequena, pois sei que o assunto dá muito pano pra manga.
É comum eu ouvir pessoas me perguntando: você vai pesquisar sobre pichação ou grafite? Minha pesquisa é mesmo sobre pichação como arte. Grafite, pra mim, não tem mais o que se discutir, uma vez que empresas pagam pelo trabalho, existem cursos e o melhor, já entrou no museu. Acredito que o grafite já se consagrou arte, e comercial. Por isso mesmo, vem se tornando o mais novo alvo de pichações.
Grafite e pichação sempre foram aliados. Um não atropelava o outro. Mas quando o grafite começou a ser visto como arte, muita gente se utilizou dele para fugir da pichação. Pessoas pagaram para que grafitassem o seu muro, sendo assim, ele não seria mais pichado. Muito desses grafites, atropelaram várias pichações, começando aí um conflito. Hoje, o grafite aliado é visto com maus olhos pelos pichadores.
Para ambientar melhor o assunto, postei abaixo dois vídeos, um sobre a pichação no Rio de Janeiro, outra sobre a pichação em São Paulo.
Se você souber de algo sobre o assunto, tiver um livro para indicar, ou qualquer dica, por favor, deixe seu comentário.
1) Marcel Proust.
À La recherche du temps perdu. (Em Busca do Tempo Perdido).
Paris, Gallimard. 1922. 1600 páginas. Resumo: Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos – e pronto. Fim.
2) Leon Tolstoi.
Guerra e Paz.
Paris, Ed. Chartreuse. 1200 páginas. Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra por estar apai! xonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro. Fim.
3) Luís de Camões.
Os Lusíadas.
Editora Lusitania. Resumo: Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super-gente-fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas. Fim.
4) Gustave Flaubert.
Madame Bovary. 778 páginas. Resumo: Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre. Fim.
5) William Shakespeare.
Romeo and Juliet.
Londres, Oxford Press. Resumo: Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então um padre tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero. Fim.
6) William Shakespeare.
Hamlet.
Londres, Oxford Press. Resumo: Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado. Fim.
7) Sófocles.
Édipo Rei – tragédia grega.
Várias edições. Resumo: Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara! em cada consulta. Fim.
8 ) William Shakespeare.
Othelo Resumo: Um rei otário, tremendo zé-ruela, tem um amigo muito fdp que só pensa em fazê-lo de bobo. O tal “amigo” não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O zé-mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho. Fim
Parabéns (ou não), você acaba de economizar a leitura de pelo menos 7.000 páginas.
Diante dos impasses manifestados nas contradições da existência concreta, importantes pensadores contemporâneos optaram por uma reflexão que aproxime as teorias filosóficas da condição humana no mundo. O curso tratará de alguns aspectos das teorias de Marx, Heidegger e Merleau-Ponty, oferecendo chaves de interpretação para leituras do mundo contemporâneo.
O curso apresenta o pensamento de Heidegger e fala sobre a angústia eterna do ser humano. Heidegger vai contra a tradição filosófica de Descartes: “penso, logo existo”. Ele não só leva em consideração o outro na nossa realidade, como aponta a relação entre sujeito e objeto como fundamental.
Segundo Heidegger, somos uma clareira, um espaço vazio que aos poucos é constituído através da existência e da relação com o mundo. Que é preenchido ao longo da vivência.
Isso, e muito mais, está no podcast. Não precisa entender de filosofia para aproveitar o podcast. Porém, quanto maior o seu conhecimento de filosofia, maior o seu aproveitamento.
Estrepsíades: Olhe ali (aponta a casa de Sócrates). Você está vendo aquela portinha e aquele casebre?
Fidípides: Estou vendo. Papai, de fato o que é aquilo?
Estrepsíades: De almas sábias é aquilo um pensatório (phrontisterion)… Lá moram homens que, quando falam do céu, querem convencer de que é um abafador, que está ao nosso redor, e nós… somos os carvões! Se a gente lhes der algum dinheiro, eles ensinam a vencer com discursos nas causas justas e injustas.
Fidípides: Mas quem são eles?
Estrepsíades: Não sei ao certo seu nome. São pensadores meditabundos, gente de bem!
Fidípides: Ah! Já sei, uns coitados! Você está falando desses charlatães, pálidos e descalços, entre os quais o funesto Sócrates e Querefonte…
Versão adaptada aos dias de hoje em Campinas
Estrepsíades: Olhe ali (aponta a Unicamp). Você está vendo aquele portão e aquele campus?
Fidípides: Estou vendo. Papai, de fato o que é aquilo?
Estrepsíades: De almas sábias é aquilo um pensatório (phrontisterion)… Lá moram homens que, quando falam do céu, querem convencer de que é um abafador, que está ao nosso redor, e nós… somos os carvões! Se a gente lhes der algum dinheiro, eles ensinam a vencer com discursos nas causas justas e injustas.
Fidípides: Mas quem são eles?
Estrepsíades: Não sei ao certo seu nome. São pensadores meditabundos, gente de bem!
Fidípides: Ah! Já sei, uns coitados! Você está falando desses charlatães, pálidos e descalços, pobres meninos ricos.
Referência: Aristófanes, As Nuvens, trad. Gilda Maria Reale Starzynski, in Sócrates, São Paulo, Nova Cultural, 1991, 90-105.
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