(pq o hétero tem que brigar com os outros?)
O que mais me espanta no péssimo humor do Rafinha Bastos não é as pessoas rirem. O que me espanta é que as pessoas que riem das piadas falidas também querem transformá-lo em revolucionário, sem ver que ele representa o que há de mais conservador e reacionário que existe. E, esse mesmo exército de zumbis sorridentes, seguidores de Rafinha também querem taxar pejorativamente quem o repudia de “politicamente correto”. Muitos defendem a liberdade de expressão, como se isso não implicasse em responsabilidades, como se a TV não fosse concessão pública com termos de compromisso, pois invade a casa de milhões de pessoas.
A retirada dele ou não da TV, eu nem discuto. São tramites do mercado e do poder da mídia. Pra mim, ele nunca deveria ter ido pra lá. O fato de que o standup comedy tem tomado os palcos teatros já é uma desvalorização da dramaturgia, ir pra TV então, é dar arma na mão de criança.
O fato é que o tal Rafinha Bastos já vem de uma seqüência de asneiras. As que me lembro são:
1 – Dizer que a mãe deve amamentar seu filho no banheiro. O sujeito pretende moralizar a amamentação, necessária pro desenvolvimento da criança e ainda quer se dizer revolucionário;
2 – De que ele só vê mulher feia reclamado de estupro. Quando ela deveria agradecer, pois o homem havia feito um favor a ela. Segundo ele, o estuprador não mereceria a prisão, mas sim um abraço;
3 – Agora ele disse que “comeria” a Wanessa Camargo e o bebê.
Muitos o acusaram de pedofilia. Nem precisa ir tão longe, o mau gosto já o condena. Tratar a mulher como um objeto, uma costela que não faz falta, ou como um pedaço de carne pneumático (como dizem os personagens da ficção Admirável Mundo Novo) já é de um machismo condenável. O tipo de machismo mais conservador possível. Daqueles que se vê em filmes medievais. Felizmente, muitas pessoas já superaram esse machismo. Então, por que retomá-lo em forma de uma piada sem graça? Porra Rafinha! Vai estudar! Isso não tem nada de revolucionário, cara!
Quando ouvi essas afirmações, não ri. Não as encarei como piada, embora ele jure de pés juntos que foi piada. Tem coisa que não dá pra rir. Acredito que o humor é uma manifestação de inteligência. Quando falta inteligência, pode se achar graça em tudo, considerar tudo como piada (se você riu das piadas do Rafinha, é melhor começar a refletir sobre isso). Pra mim, o problema dele foi o seguinte: ele não é tão inteligente quanto se acha, e na tentativa de ser engraçado sempre, não lhe faltou apenas graça, mas também inteligência.
Nesses momentos de falta de inteligência e graça, veio à tona todo o seu machismo, seu conservadorismo e seu preconceito que beiram um fascismo. Com medo de assumir tanta carga negativa, ele apelou para a máscara do riso. Ele camufla seu preconceito de humor. Uma a saída cínica e rápida pra escapar das conseqüências de quem alimenta uma opinião tão preconceituosa. Quando ele diz “é só uma piada“, na verdade está dizendo: foda-se se você é mãe e amamenta, é só uma piada. Foda-se se você sofreu violência sexual, é só uma piada. Foda-se se você está grávida, se você é mulher, ou contra o machismo, é só uma piada.
Nunca assisti um dia de CQC ou a Liga. Fiquei sabendo dessas declarações pelas redes sociais. Foi depois que vi pessoas defendendo-o, que resolvi escrever esse texto. O Rafinha Bastos é o tipo de pessoa que eu excluiria não somente da TV, mas também da roda de amigos ou de uma mesa de bar. Ah… e, Marcelo Tas, se eu fosse você, voltava pro Castelo Ratimbum.
Alguns links que indico pro Rafinha estudar:
O riso como arma dos covardes, por Túlio Vianna
Cinismo e falência da crítica, por Vladimir Safatle










