Tô ficando atoladinha: um metarrefrão microtonal plurissemiótico

agosto 8th, 2011 § 2 comments § permalink

O Tom Zé, sempre polêmico, fala sobre o Funk Carioca. Ele defende que o refrão “Tô ficando atoladinha” nos liberta de uma prisão sonora criada pela igreja católica e a cultura ocidental. Segundo ele, essa prisão nos privou dos sons microtonais.

 Selecionei 2 vídeos onde ele explica melhor toda essa história. Não levem muito a sério o Jô Soares. Pelo jeito ele entende tanto de música quanto eu. Só sabemos tocar bongô e dar o play no rádio.

Kant é rock, Sartre é pop e Merleau-Ponty é hip hop.

maio 20th, 2011 § 0 comments § permalink


Ao contrário de artigos e tratados filosóficos, prometo ser breve para explicar a heresia do título. Assim como Kant, o rock criou e abriu possibilidades geniais para a humanidade, porém, esbarrou em preconceitos. O rock se achou uma música de excelência “a priori”. O juízo “a priori” de Kant, resumido e destruído em miúdos, quer dizer que o ser nasce com uma condição a tal coisa, uma potencialidade. Segundo o filósofo o homem já nasce com condição racional, noção de tempo e espaço. Ele acreditava que isso é inerente ao ser humano, que ele já vinha ao mundo com essas qualidades, desconsiderando a experiência. Foi assim, desconsiderando a experiência e a vivência, que após gerações férteis o rock se achou genial por excelência música “a priori”, acima dos demais gêneros. Pais aficionados começaram a criar seus filhos ouvindo rock, só clássicos. Mas seus filhos iam de carro de casa pra escola e da escola pro shopping, e nada mais. Não havia mais vivência, experiência. Não havia mais rodas de violão, os rolés e a correria das bandas. O rock foi se enfraquecendo, envenenado por si mesmo, e assim como Kant e o juízo “a priori” ficou parado no tempo. Hoje criticam o rock colorido, mas ele é tudo o que sobrou, é a grande contribuição de uma geração de roqueiros criados na Disneylândia.

Já Sartre é como o popstar que joga para a plateia. É inegável a sua grande contribuição para o desenvolvimento do pensamento humano. Ele deixou essa história de “a priori” no passado. Porém, é preciso reconhecer também que a maioria das pessoas conhecem mais detalhes sobre o seu relacionamento com a Simone de Beauvoir do que sobre a sua obra filosófica. Coisas geniais também saíram do pop. Embora eu discorde, 99% das pessoas consideram Michael Jackson genial. Porém, é inegável que ele ficou mais famoso por andar pra trás no moonwalker do que pelas músicas da época de Jackson’s Five.

Enquanto Sartre conquistava o público, seu amigo de militância política e de filosofia Maurice Merleau-Ponty, corria por fora. Pegou a fenomenologia de Husserl e Heidegger e tornou-a ainda melhor. Colocou um tempero especial na mistura, incluiu o corpo na jogada, dando moral para a experiência. Viu que a essência estava na vida. Na alegria ou na tristeza, o que vier dá samba. E é seguindo esse método que o hip hop pega as raízes da África e coloca no cotidiano do Brasil sem ignorar o gingado. Pra quem achava pouco, o hip hop ainda foi pegar elementos emprestados lá nos EUA. Contemplou o tempo, a rima e o compasso. Tudo isso deu origem a uma mistura que fez muita gente torcer o nariz, mas que está sempre se renovando, e em meio a um corre e outro, tem revelado ótimas gerações reconhecidas pelo partido alto.

Texto publicado também na minha coluna quinzenal no Portal do Cambuí.

 

Super Flu – Oktavlachs

março 23rd, 2010 § 0 comments § permalink

Esse clipe pode até parecer bizarro, mas com o tempo, você vai acompanhando a música e os movimentos e a coisa vai ficando interessante. Confesso que nunca gostei de música eletrônica[bb], mas o Radiohead[bb] e o Moby[bb] me ensinaram a apreciá-la aos poucos.

Se Chico Buarque fosse publicitário

março 10th, 2010 § 2 comments § permalink

Desconstrução

Criou daquela vez como se fosse a última.
Fez cada job seu como se fosse o único.
Pensou o dia inteiro e ficou o máximo.
Mandou pro atendimento num e-mail tímido.

Teve que refazer como se fosse máquina.
A campanha reprovada com argumentos sórdidos.
Criou mais uma vez outros roteiros mágicos.
Esperou aprovação como se fosse lógico.

O cliente não gostou e aconteceu o trágico:
pediu pra refazer como se fosse um príncipe.
Tentou reagir mas se sentiu estático.
Pensou mais uma vez no concurso público.

E virou a noite inteira parecendo um bêbado.
Comeu pizza de novo e ficou mais flácido.
Bebeu a noite inteira cafezinhos básicos.
Saiu de manhazinha se sentindo estúpido.
E ainda teve que voltar pra terminar no sábado.

Vi no PropagandaMT

E aí, alguém se propõe gravá-la?

A mensagem perfeita para o Natal

janeiro 7th, 2010 § 0 comments § permalink

Veja sempre o lado brilhante da vida.

Sei que a mensagem está atrasada, que ontem foi o dia de desmontar as árvores de natal, mas a música é ótima e já faz parte do meu repertório para os próximos anos.
“Você veio do nada e está voltado para o nada. O que você está perdendo com isso? NADA.” Aproveite a vida.

O Pacto Colonial da música e o Funk Carioca

dezembro 15th, 2009 § 0 comments § permalink

Pra quem não sabe o pacto colonial funciona assim: a colônia fornece a matéria-prima, a metrópole a transforma em produto manufaturado ou industrializado e vende novamente à colônia com o seu preço.

Na música, parece que isso também existe. O Funk Carioca, discriminado pelos seus vizinhos é muito bem visto quando ele vem de fora, manufaturado ou industrializado. São muitos os exemplos, o mais explícito que me lembro é da cantora M.I.A.

Não tenho nada contra a música dela, muito pelo contrário, eu gosto, pois me lembra o Funk Carioca. A MIA deve ter a sensibilidade e a inteligênca que falta a muitos brasileiros que discriminam o funk. Não gostar eu admito, mas preconceito, jamais.

Eu gosto de funk, cresci ouvindo funk. Em tudo, existe sua taxa de banalização, no funk não seria diferente. Adriana Calcanhoto soube separar bem. Veja o vídeo abaixo. E imaginar que pais levaram seus filhos pra ouvi-la cantar um “funk”.

Não estou incitando um nacionalismo musical, pois acredito que todo nacionalismo é burro (e não só o dos estadunidenses). Estou dizendo só pra gente deixar de achar sempre que a grama do vizinho é mais bonita.

Beatles e os Rolling Stones. Não se faz mais música como antigamente.

outubro 18th, 2009 § 0 comments § permalink

Num momento de ócio, ouvindo Rolling Stones, fiquei formulando uma resposta do porquê eu gosto das músicas antigas. Fiquei procurando uma justificativa.

Segundo Domenico de Masi, os luxos da sociedade pós-industrial, que é como ele chama a contemporaneidade, são cinco: a autonomia, o silêncio, a segurança, o espaço e o tempo.

lennon_jagger

Então fiquei pensando: autonomia e tempo são fundamentais para a arte. Existe arte de instante, mas uma música pede tempo para ser trabalhada. A não ser que seja o bom e velho estilo punk, o qual também sou fã.

Por isso sou fão de músicas antigas, gosto de Blues, Rock dos anos 50 e 60 Joe Cocker, gosto de Beatles e Rolling Stones. Gosto também do bom e velho punk de The Clash , Varukers, Exploited e GBH.

Se bem que, o Mukeka di Rato, atualíssimo, tem feito um ótimo trabalho também, com muita autonomia. E você pode baixar suas músicas grátis no site da Trama.

Então, se te perguntarem porque você gosta de músicas antigas e não de rock emo, responda: porque elas foram feitas com tempo e autonomia.

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