maio 25th, 2010 §
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maio 25th, 2010 §
Crixto
ganharam a senha do Cristo
pixaram sua cara, de pedra
um tapa na cara de uma sociedade
que não mostra sua outra face, fascista
por mais que se tape os olhos
a pixação surge na cara dura, do Cristo
é o caos assumido, pixado
assinado embaixo
águas passadas
o Cristo já está de cara lavada
seus valores continuam de pé
mesmo que nos custe caro
a cara à tapa
nas costas do Cristo
o pecado come solto
a arte como crime
o crime come a arte, manha
tudo na vida
é uma questão de ganhar a senha

abril 23rd, 2010 §
mu(n)do
era preciso dizer umas verdades
me inspirei para falar
não saiu nada
sai nadando daquele lugar
de bico calado
eu sabia que a boca de fumo
havia engolido a boca do povo
e eu também sei
que se nada mudar aqui dentro
lá fora vai continuar chovendo canivetes
abril 21st, 2010 §
março 10th, 2010 §
Desconstrução
Criou daquela vez como se fosse a última.
Fez cada job seu como se fosse o único.
Pensou o dia inteiro e ficou o máximo.
Mandou pro atendimento num e-mail tímido.
Teve que refazer como se fosse máquina.
A campanha reprovada com argumentos sórdidos.
Criou mais uma vez outros roteiros mágicos.
Esperou aprovação como se fosse lógico.
O cliente não gostou e aconteceu o trágico:
pediu pra refazer como se fosse um príncipe.
Tentou reagir mas se sentiu estático.
Pensou mais uma vez no concurso público.
E virou a noite inteira parecendo um bêbado.
Comeu pizza de novo e ficou mais flácido.
Bebeu a noite inteira cafezinhos básicos.
Saiu de manhazinha se sentindo estúpido.
E ainda teve que voltar pra terminar no sábado.
Vi no PropagandaMT
E aí, alguém se propõe gravá-la?
janeiro 27th, 2010 §
Haiti
o Haiti não é mais aqui
o Haiti não está mais lá
está caído
partido
e oposição
janeiro 26th, 2010 §
Conexão
Hardware
Software
SMS
MSN
Banda larga
3G
3D
Realidade aumentada
GPS
Google
Wi-fi
Fibra ótica
Widget
Gadget
Blog
Mobile
e a vida continua por um fio
janeiro 20th, 2010 §
Maria Cícera
Cícera
sem terra
sem chances de escapar
teve seus sonhos atropelados
no quilômetro 58
da sua vida
burgueses de passagem
passaram no colo
do coronelado
de couro melado
de sangue
de todo tipo
de toda cor, sangue
que se transforma em moda
costurando nossa boca
burgueses de passagem
com todo seu peso
passaram por cima de Cícera
do corpo
da alma
mas não das sementes
que ela levava nas mãos
*Em homenagem a Maria Cícera. Vítima de um atropelamento fatal no dia 7 de agosto de 2009 na Marcha dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.
**Cícera: Latim, a que planta sementes.
dezembro 15th, 2009 §
Eduardo Alves da Costa
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!
dezembro 11th, 2009 §
Confesso que não manjo nada de Roldan-Roldan, mas acho que será muito interessante conhecer gente nova que também está na luta literária.
