Rascunhos poéticos – Maria Cícera

janeiro 20th, 2010 § 0 comments § permalink

Maria Cícera

Cícera
sem terra
sem chances de escapar
teve seus sonhos atropelados
no quilômetro 58
da sua vida

burgueses de passagem
passaram no colo
do coronelado
de couro melado
de sangue
de todo tipo
de toda cor, sangue
que se transforma em moda
costurando nossa boca

burgueses de passagem
com todo seu peso
passaram por cima de Cícera
do corpo
da alma
mas não das sementes
que ela levava nas mãos

*Em homenagem a Maria Cícera. Vítima de um atropelamento fatal no dia 7 de agosto de 2009 na Marcha dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.

**Cícera: Latim, a que planta sementes.

No Caminho, com Maiakóvski

dezembro 15th, 2009 § 0 comments § permalink

Eduardo Alves da Costa

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!

Cria Literária no Iguatemi Campinas

dezembro 11th, 2009 § 0 comments § permalink

Confesso que não manjo nada de Roldan-Roldan, mas acho que será muito interessante conhecer gente nova que também está na luta literária.

cria30

Rascunhos poéticos – Meu tênis justo

outubro 20th, 2009 § 5 comments § permalink

Meu tênis justo

meu tênis justo
me aperta
no peito
do pé

me dói
no calo
me calo
pois o vendedor me disse
que com o tempo lasseia

meu tênis justo
é feito de couro
de cola
de fome

mas seu brilho não se perde,
se rouba nas ruas

na corrida da vida
a dor só me alcança de manhã
quando coloco meus pés no chão
mesmo assim, passo por cima de tudo
com o pé trocado

meu tênis justo
me faz esquecer
que cada passo conta
no cadafalso da infância descalça

mas meu tênis justo
absorve todo impacto
e mantém impulsivo
longe do chão

Nu diante do espelho

setembro 25th, 2009 § 2 comments § permalink

Vou contar os bastidores de uma das minhas poesias. A “Primitivo” uma das que mais gosto. Ela está no meu livro, e abaixo. Leia e depois veja como ela foi criada.

Imagem1

Você faz idéia de onde veio a inspiração pra essa poesia? Pense 10 segundos, depois leia a história abaixo:
Eu fiz uma oficina de criação literária com o João Silvério Trevisan. Em um dos exercícios para se fazer em casa, era para que a gente escrever nu diante do espelho. Ter apenas papel e lápis à mão, sem roupa, sem nada e escrever um texto literário olhando para si mesmo, nu.

Decidi fazer o exercício antes de dormir. À noite, assisti uma reportagem falando sobre um calendário feito com os jogadores da seleção italiana em fotos eróticas, todos depilados. Olhei pra mim, cabeludo, barbudo e com pelos por todo corpo. Me senti como um Fiat 147 no estacionamento de um shopping de luxo. Então as mulheres agora gostam de homens sem pêlos? Isso me incomodou, mas não o bastante pra tirar o meu sono.

Fui deitar, mas antes, fui fazer o exercício. Foi então que pela primeira vez reparei ou encarei os meus pêlos. Sempre os via como coadjuvantes do corpo. Agora eu estava olhando para eles mesmo. Me senti feliz com eles. Achei que cada um estava no lugar certo, mas a reportagem ainda me incomodava. Então, foi assim que nasceu a poesia “Primitivo”.

O que mais me encomodou no exercício foi a vulnerabilidade. Não costumo andar nu pela casa, me senti desprotegido. Mas acho que até nisso meus pêlos me ajudaram.

Release do lançamento do (meu) livro de poesias

setembro 15th, 2009 § 2 comments § permalink

Segue abaixo o material pra divulgação. Agradeço desde já quem puder me ajudar a divulgar o livro. Faça o download do livro na página Brechó Livros.

Clique aqui para baixar o release para imprensa e blogs.

Para colocar um banner no seu site, copie o código abaixo:

<a href=”http://www.brechodocarioca.com/livros-free-download/” target=”_blank”> <img src=”http://www.brechodocarioca.com/BannerLIVRO.jpg”></a>

Lançamento do meu livro de poesias pra download grátis

setembro 14th, 2009 § 8 comments § permalink

Lembram do livro impresso? Então, decidi mudar completamente a história. Vi que pedir empréstimo para imprimir o livro seria colocar a corda no próprio pescoço, ficando a mercé do banco para o enforcamento.

Como acredito muito na minha poesia, na arte e principalmente na economia da colaboração, resolvi lançar meu livro pra download gratuito.

O livro reune poemas de duas linhas: romântica e social. Como o título do livro diz: Meu amor vai bem. Meu mundo vai mal. Ele é dividido entre poemas românticos, líricos e poemas críticos, ácidos. A ironia está presente na maioria delas.

Devido o tamanho das poesias e já que não há uma necessidade de lê-las em ordem, o livro se encaixa bem no formato digital. São bons momentos de leitura durante o trabalho, a navegação na net, e também, pode ser impresso para uma boa leitura antes de dormir.

Divirtam-se. Faça o download à vontade, tem um botão para doações, mas totalmente livre também. Mas o que realmente eu gostaria de receber é um retorno se vocês gostaram ou não. Obrigado.

Faça o download do livro na página Brechó Livros.

CAPALIVRO

Related Posts with Thumbnails

Where Am I?

You are currently browsing entries tagged with poema at Brechó do Carioca.

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline