O que mais me espanta no péssimo humor do Rafinha Bastos não é as pessoas rirem. O que me espanta é que as pessoas que riem das piadas falidas também querem transformá-lo em revolucionário, sem ver que ele representa o que há de mais conservador e reacionário que existe. E, esse mesmo exército de zumbis sorridentes, seguidores de Rafinha também querem taxar pejorativamente quem o repudia de “politicamente correto”. Muitos defendem a liberdade de expressão, como se isso não implicasse em responsabilidades, como se a TV não fosse concessão pública com termos de compromisso, pois invade a casa de milhões de pessoas.
A retirada dele ou não da TV, eu nem discuto. São tramites do mercado e do poder da mídia. Pra mim, ele nunca deveria ter ido pra lá. O fato de que o standup comedy tem tomado os palcos teatros já é uma desvalorização da dramaturgia, ir pra TV então, é dar arma na mão de criança.
O fato é que o tal Rafinha Bastos já vem de uma seqüência de asneiras. As que me lembro são:
Muitos o acusaram de pedofilia. Nem precisa ir tão longe, o mau gosto já o condena. Tratar a mulher como um objeto, uma costela que não faz falta, ou como um pedaço de carne pneumático (como dizem os personagens da ficção Admirável Mundo Novo) já é de um machismo condenável. O tipo de machismo mais conservador possível. Daqueles que se vê em filmes medievais. Felizmente, muitas pessoas já superaram esse machismo. Então, por que retomá-lo em forma de uma piada sem graça? Porra Rafinha! Vai estudar! Isso não tem nada de revolucionário, cara!
Quando ouvi essas afirmações, não ri. Não as encarei como piada, embora ele jure de pés juntos que foi piada. Tem coisa que não dá pra rir. Acredito que o humor é uma manifestação de inteligência. Quando falta inteligência, pode se achar graça em tudo, considerar tudo como piada (se você riu das piadas do Rafinha, é melhor começar a refletir sobre isso). Pra mim, o problema dele foi o seguinte: ele não é tão inteligente quanto se acha, e na tentativa de ser engraçado sempre, não lhe faltou apenas graça, mas também inteligência.
Nesses momentos de falta de inteligência e graça, veio à tona todo o seu machismo, seu conservadorismo e seu preconceito que beiram um fascismo. Com medo de assumir tanta carga negativa, ele apelou para a máscara do riso. Ele camufla seu preconceito de humor. Uma a saída cínica e rápida pra escapar das conseqüências de quem alimenta uma opinião tão preconceituosa. Quando ele diz “é só uma piada“, na verdade está dizendo: foda-se se você é mãe e amamenta, é só uma piada. Foda-se se você sofreu violência sexual, é só uma piada. Foda-se se você está grávida, se você é mulher, ou contra o machismo, é só uma piada.
Nunca assisti um dia de CQC ou a Liga. Fiquei sabendo dessas declarações pelas redes sociais. Foi depois que vi pessoas defendendo-o, que resolvi escrever esse texto. O Rafinha Bastos é o tipo de pessoa que eu excluiria não somente da TV, mas também da roda de amigos ou de uma mesa de bar. Ah… e, Marcelo Tas, se eu fosse você, voltava pro Castelo Ratimbum.
Vandalismo ou insurreição. uma aula de política contemporânea vinda das ruas. pare tudo o que está fazendo e veja esse vídeo. Ele vai te ajudar a entender o mundo.
Olha o tipo de gente que protege o cara. A polícia identificou 8 neonazistas envolvidos em atos criminosos de racismo e homofobia no protesto a favor de Bolsonaro. Uma pena que todos foram liberados logo depois.
No Blog do Tsavkko tem um ótimo post com vários vídeos e cobertura completa do evento. Tem até um puxão de orelha para os blogueiros que se omitiram nessa luta contra o fascismo. Destaco o trecho:
“Não critico quem não teve coragem de ir até o protesto. Pensar em ficar cara-a-cara com nazistas não é fácil, ter medo é normal. Mas critico quem se acovardou nas críticas, quem calou, quem apenas foi atrás da grande mídia para saber o que aconteceu (ou seja, leram e ouviram mentiras) e não repercutiu a verdade.”
Não deixem de acessar e ver os vídeos. Parece que a grande mídia prefere fazer de conta que nada aconteceu em São Paulo e que o fascismo é coisa que colocaram na nossa cabeça. O fascismo, a homofobia, o racismo existe e é preciso ser combatido. Não se engane, quem não tem preconceito não está fazendo a sua parte. Não ter preconceito é obrigação de todos, mas é preciso ir além e não ficar quieto diante de tanta intolerância. Denuncie.
Esse é o exato título de um ótimo post do blog do Rovai que li no site da Revista Fórum. Nesse e em outros posts ele explica com mais detalhes o caso. Aqui, eu pretendo fazer uma reflexão da minha posição sobre o assunto após ver o vídeo abaixo.
Sou carioca e faz algum tempo que moro em São Paulo. Atualmente em Campinas-SP. Moro aqui tempo suficiente para casar, ter 2 filhos e fazer muitos amigos por aqui. A grande maioria desses amigos, e talvez todos aqueles que são meus amigos de verdade, ficaram chocados com as declarações de preconceito após a vitória de Dilma nas eleições.
Cheguei em me sentir mal por morar em São Paulo, sentir vergonha mesmo. Mas refleti e vi que esse não é o caminho. Preconceito não se responde com preconceito. Mas sim com condenação.
Se você tem um amigo preconceituoso, seja por credo, cor ou região geográfica reprove esse comportamento dele. Se preciso, denuncie. Chega de fazer vista grossa e achar que tudo não passa de piadinhas inocentes. Chega de pensar: “ah, mas ele é assim”. Então, ele será assim longe de mim. Tolerar é dar asas às cobras. O preconceito prolifera muito rápido, dá pra ter uma noção pelo acontecido no Twitter.
Outra questão muito importante é: de onde veio tanto ódio? A tal Mayara Petruso não acordou e decidiu do nada ofender nordestinos. Acredito que esse ódio se alimentou ao longo de uma campanha que mostrou pouco conteúdo e muita discriminação e ranço político.
Encontrei o panfleto abaixo perto da escola do meu filho, mais um motivo de vergonha pra mim. Um ingrediente perfeito para a turbulência de ódio que paira nos céus do Brasil. Um absurdo.
Na minha opinião, não deveria ser a OAB de Pernambuco que deveria estar processando Mayara, mas sim a OAB de São Paulo. Não deveria ser a esquerda que deveria estar investigando a fonte de ódio, mas sim o PSDB e partidos coligados. Seria uma ótima lição de cidadania. Pois casos assim são motivos de vergonha para todos, ainda mais para quem está próximo.
Na parte de trás do panfleto diz: Metade do que o Governo Federal arrecada vem de SP. Sabe quanto mandam de volta? Só 12%. Tratam mal São Paulo e querem que o paulista se contente com mixaria. Dilma deixou São Paulo na mão.
Depois de um monte de argumentos não comprovados ele fecha com chave de ouro o seu discursos separatista: São Paulo não gosta de quem não gosta de SP.
Não existe sequer uma fonte para os absurdos citados. O panfleto é assinado em letras pequenas pela coligação O BRASIL PODE MAIS / PSDB – DEM – PPS – PTB – PT do B – PMN. E tem os seguintes CNPJs impressos na base: C-CNPJ 12.181.907/0001-83 e F-CNPJ 64.907.926/0001-48.
Além disso, você também pode fazer uma reclamação por escrito pra Band no Reclame Aqui.
Você acha que eu estou exagerando? Veja aqui as idiotices do Datena transcritas pelo pessoal da ATEA e olha abaixo só uma das frases preconceituosas que ele soltou na TV durante a pesquisa realizada no ar sobre acreditar ou não em deus.
“Como nós temos mais de mil ateus? Aposto que muitos desses estão ligando da cadeia.”
Datena é um infeliz, que utiliza a tragédia do próprio filho, com as drogas, para se promover. Acredito que ele se expressar e falar que falta deus no coração dos brasileiros é aceitável, embora eu não concorde. Agora, acusar, discriminar e agredir os ateus, eu jamais admitirei.
Ele está precisando ouvir mais e falar menos. É inaceitável pensar que uma pessoa com acesso a tantos telespectadores ainda levante uma bandeira de um preconceito estúpido como esse. Ainda comentarei mais sobre o assunto por aqui. Por enquanto, achei ótima a resposta do Pablo Villaça no seu videocast.
Acabei de assistir o filme Jean Charles. Não é o melhor filme que já assisti na vida, mas dizer que nada mudou depois de vê-lo é mentira.
Temperado com a frieza britânica e a malandragem brasileira que Jean Charles parecia representar muito bem, o filme é ótimo. Paisagens contrastantes no faz valorizar não somente a beleza londrina, mas também de coisas simples. Mesmo o assistindo fora do “time” do jornalismo mundial, acho o filme atual e recomendo a todos.
Sobre o caso Jean Charles, acompanhei pela TV e internet o quanto pude, vi que mesmo com o filme e pressão da mídia os britânicos continuam cagando e andando para o caso, e mais precisamente, para imigrantes de países em desenvolvimento.
Uma das falas mais inteligentes do filme é: “lembremos que Jean Charles só foi morto porque foi confundido com um muçulmano”. Talvez não fosse a hora do Jean, mas quem sabe qual será a hora dos brasileiros. Afinal, o preconceito vai e vem sem deixar explicações.
Não quero incentivar nenhum orgulho brasileiro, pois Nietszche já dizia que todo nacionalismo é burro. O que quero incentivar é a reflexão de quanto vale uma vida, por mais diferente que ela seja da sua. Até que ponto o medo te dá direito a atirar cinco vezes na cabeça de outra pessoa?
Fora isso, o filme me fez refletir sobre nós brasileiros. Convido todas as nacionalidades a participarem da reflexão. Falo brasileiros por ter mais conhecimento de causa. Existem dois tipos de brasileiros:
O primeiro são os que podem apostar no futuro. São aqueles que podem estudar sem se preocupar em ganhar o seu pão de cada dia. Os que podem apostar numa profissão, com estágios de salários míseros. Que são felizes com o que fazem e muitas vezes se definem pela profissão.
O segundo tipo não aposta no futuro porque não tem fichas. Ele tem que estudar e trabalhar, isso, quando consegue estudar. É aquele que tem que se desdobrar para viver. Literalmente tem que ser dois. Não só na questão mecânica das tarefas, mas na personalidade. É aquele que precisa fazer o que gosta nas horas vagas e ter um emprego para se manter. Meu pai, operário de fábrica, sempre me disse: Luiz, você acha que alguém nasce com vocação pra ser operário de fábrica? Desde pequeno eu sempre soube a resposta.
Esse tipo de brasileiro tem que engolir sapo, ouvir generalizações sobre sua profissão, mesmo que sabendo que ele não nasceu nela. Ele talvez tenha nascido branco, negro, pobre, gordo, mas não mecânico, operário, eletricista. Essa profissão, talvez seja o carma que ele tenha que carregar para o resto da vida, sorridente, porque senão pode perder o emprego. E parece que esse carma é cada vez mais evidente para deixar claro qual tipo de brasileiro você é.
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