Um projeto social de empresas pintou várias casas para mudar a vida da favela. Porra, pra mudar a vida deles é preciso muuuito mais que isso.
Quantos moradores da favela trabalham de forma direta ou indireta pra Vivo e Suvinil? Quantos deles tem condições dignas de trabalho? Não adianta cobrar metas inantingíveis do seu telemarketing pagando miséria e depois pintar a casa do vizinho. A sustentabilidade tem que estar em todo o processo, de ponta a ponta.
Quando eu digo que a arte vai salvar o mundo, não estou falando sobre ações de marketing. Embora exista um lado positivo, são apenas a azeitona da empada. É preciso muito mais.
Além disso, quando digo isso é porque eu acredito que só a arte ensina o ser humano a lidar com as diferenças, desperta a sensibilidade e realmente humaniza. Só a arte (e talvez o esporte) são capazes de quebrar o comportamento mecânico do homem moderno.
por Sergio Ferrari – Colaborador de Adital na Suiça.
5 mil pessoas, segundo os organizadores Centenas de cidadãos originários da América Latina
Milhares de pessoas se mobilizaram no primeiro sábado de outubro (2), em Berna, a capital suíça, exigindo a regularização coletiva e imediata das pessoas que residem no país sem contar com um status legal. Manifestação significativa que relança na praça pública desse país europeu a frágil situação cotidiana dos residentes sem documentos.
Segundo diversas fontes, vivem na Suíça pelo menos 100 mil pessoas que não contam com uma permissão de residência segundo as normas imigratórias oficiais. A grande maioria trabalha e muitos pagam impostos e cotizam aos seguros sociais; porém, estão privados dos direitos migratórios básicos, segundo denunciou o Coletivo dos Sem Documentos, que convocou à concentração em Berna.
Realidade semelhante a de outros países europeus, onde as restrições imigratórias aumentam a cada dia. Os residentes sem documentos são, hoje, na Europa –e em outras regiões do mundo- cidadãos de “segunda categoria” ou, inclusive, “escravos modernos”.
Recentes denúncias sindicais indicam que trabalhadores imigrantes no setor da construção, na Suíça, ganham entre 4 e 5 vezes menos por hora do que o trabalhador “legal”.
“Ninguém é ilegal”, recordaram os manifestantes que chegaram a Berna provenientes de todo o país. A convocatória foi apoiada por centenas de organizações, sindicatos, alguns partidos políticos (de esquerda e pelo Partido Verde) e por movimentos sociais dos mais variados signos.
Segundo o Movimento dos “Sem Documentos”, “uma hipocrisia política maior caracteriza ao mundo político suíço com respeito aos sem documentos: de um lado, aceita a necessidade dessa mão de obra imprescindível para a economia; e, de outra, nega seus direitos fundamentais”.
O Movimento aproveitou a manifestação em Berna para convocar para a assinatura de uma nova petição, lançada no passado 3 de maio. A mesma exige o estabelecimento de condições que permitam a regularização de pessoas sem status legal que residem no país.
Em curto prazo, o Movimento exige ao Conselho Federal –executivo colegiado suíço- que renuncie à política de reenvio forçado desumano, inútil e custoso aos países de origem. E exige que se assegure o acesso à escolaridade para todos os filhos dos sem documentos. Preconiza também que seja implementado, sem mais atraso, o acesso à aprendizagem técnica (nível médio posterior ao ensino fundamental) para os jovens “sem documentos”, tal como foi solicitado pelo Parlamento suíço, em 2010.
A organização Solidariedade Sem Fronteiras recorda que apesar das repetidas chamadas do Conselho da Europa, o governo suíço rechaçou toda proposta de regularização coletiva. E agrega que, com a atual regulamentação jurídica, a regularização individual dos sem documentos torna-se quase impossível.
A manifestação de Berna reinstala o debate sobre um dos temais mais sensíveis da política interna. E envia um claro sinal aos partidos de ultradireita que têm feito de sua campanha antiestrangeira e xenofóbica o principal slogan durante a campanha eleitoral que se encerra no próximo dia 23 de outubro, com as eleições nacionais legislativas.
No dia 10 de dezembro próximo, o novo Parlamento deverá eleger um novo executivo colegiado para os próximos quatro anos. A imigração aparece, assim, como um termostato político-eleitoral de significação para medir as tendências nacionais.
Nos próximos meses, a Frente Parlamentar pela Erradicação do Trabalho Escravo pretende levar a votação, em segundo turno, uma emenda constitucional que prevê a expropriação de terra para quem reincidir no crime trabalho escravo. A matéria já foi aprovada pelo Senado e aguarda votação na Câmara desde agosto de 2004.
A necessidade de uma emenda constitucional mostra que a escravidão ainda é uma realidade no Brasil, em outros moldes, é verdade, mas ainda privando de liberdade muitos trabalhadores.
Conheça a história de ‘José’, um trabalhador brasileiro que foi feito escravo em uma propriedade rural e precisou fugir para garantir sua liberdade. José é o nosso depoente que, por motivos de segurança, pediu para não ter seu verdadeiro nome revelado. Nasceu no ano de 1988 na cidade de Floriano (PI), mas se mudou para Açailândia (MA) à procura de trabalho. Quando o conhecemos, em 2007, ele havia acabado de fugir da fazenda em que trabalhava havia dois anos em regime de trabalho escravo.
A Apple tem mais de 12.000 pessoas, espalhadas em 57 edifícios em Cupertino. Agora, comprou o HP Campus (área usada por mais de 20 anos pela Hewlett-Packard) por U$300.000.000 e vai ampliar seu território.
A nova sede da empresa promete reservar 80% da área do terreno para 6.000 árvores (hoje são 3.000, em 20% da área) e construir o empreendimento nos 20% restantes. Para isso o estacionamento passará a ser subterrâneo e o novo edifício será construido em um formato que, segundo Jobs, oferecerá harmonia com o verde e bem estar para os funcionários. Bem-estar? Pra quem? Dá uma olhada no formato da construção:
Deixa eu explicar a minha Teoria da Conspiração.
Essa arquitetura foi criada pelo filósofo Jeremy Benthan, como um eficiente centro penitenciário, o Pan-óptico. “O conceito do desenho permite a um vigilante observar todos os prisioneiros sem que estes possam saber se estão ou não sendo observados. De acordo com o design de Bentham, este seria um design mais barato que o das prisões de sua época, já que requer menos empregados.“
Viu como o Steve Jobs só pensa no bem-estar? Mas no bem-estar de quem?
Jobs ainda diz que a Apple possui expertise e tecnologia para fabricar “como ninguém” enormes placas de vidro e ainda por cima curvas. Que medo.
Pra quem não sabe, mas de 10 funcionários da Foxcon da China, fornecedora da Apple cometeram suicídio por causa das condições de trabalho. Os funcionários se jogavam pelas janelas. Sabe o que eles fizeram a respeito? Colocaram grades nas janelas. Isso sim é bem-estar.
Grupo de imigrantes sul-americanos submetidos a condições análogas à escravidão foi flagrado costurando blusas da coleção Outono-Inverno da Argonaut, marca jovem da centenária rede varejista Pernambucanas.
Foram encontradas 16 pessoas vindas da Bolívia que viviam e eram explorados em condições de escravidão contemporânea na fabricação de roupas. Entre as vítimas, dois irmãos com 16 e 17 anos de idade e uma mulher com deficiência cognitiva.
Grupo foi aliciado no Rio de Janeiro, não recebia salários, estava alojado em galpão e pagava pela comida. Subcontratada pela empresa de telefonia celular não fornecia água potável nem equipamentos de proteção individual.
“O ‘Escravo, nem pensar!’ já beneficiou 37 municípios de seis estados: Maranhão, Piauí, Bahia, Pará, Tocantins e Mato Grosso. É considerado pelo governo federal brasileiro e por entidades participantes da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo o primeiro programa de prevenção à escravidão de âmbito nacional.”
Navegando pelo site do Repórter Brasil eu descobri um novo Brasil. Não só o vídeo e o projeto Escravo, nem pensar!, mas também descobri que grandes nomes do nosso dia a dia como Fernando Collor e a família Senna, isso mesmo, mais precisamente o pai de Ayrton Senna já se viram envolvidos com acusações de trabalho escravo em suas propriedades rurais. E pensar que estamos em 2009…
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